| assistidos pelos apóstolos,
ainda através da mediunidade de Collignon. Era-lhe
fornecido, então, o título da obra de
cuja coordenação fora incumbido:294
"Publica esta obra, a
que darás o título de - Os Quatro Evangelhos,
Seguidos dos Mandamentos, Explicados em Espírito
e Verdade, de Acordo com os Ensinos Ministrados, Quanto
aos Evangelhos, pelos Evangelistas Assistidos pelos
Apóstolos e, Quanto aos Mandamentos, por Moisés
e pelos Evangelistas Assistidos pelos Apóstolos."
Os Quatro Evangelhos - esse, portanto, o nome da notável
obra. Mas, sobre ele, tanto no original francês
quanto nas traduções (nestas obviamente)
há uma espécie de segundo título
- Espiritismo Cristão ou Revelação
da Revelação -, cuja origem vamos examinar
desde logo, principalmente porque motivou azedas críticas
dos inimigos de Roustaing. Pretenderam, tolamente, desmerecer
a obra por causa dessa "mudança" de
nome. Ora, em primeiro lugar, não houve nenhuma
mudança, mas simples complementação,
mesmo assim da parte de Roustaing, e não da parte
dos espíritos. Apenas não sei se Roustaing
agiu de modo consciente ou inconsciente. Em qualquer
das hipóteses, no entender das pessoas imparciais,
sua iniciativa só valorizou a titulação.
E, em segundo lugar, ainda que tivesse havido uma mudança
de título - que não aconteceu -, é
bom não ignorar que também Allan Kardec
trocou o título do Imitação do
Evangelho segundo o Espiritismo por O Evangelho segundo
o Espiritismo. Finalmente, em terceiro lugar, qualquer
mudança de título em nada alteraria o
valor da obra, se-não na preocupação
de quem pretende desviar para questões anódinas
a insuficiência de argumentos sérios. Em
arremate: mais surpreendente teria sido Kardec que,
em O Livro dos Espíritos, foi muito além
do título e acabou fazendo modificações
no conteúdo da obra, ao publicar dela a segunda
edição. A definitiva, como se sabe, é
a segunda, datada de 18 de março de 1860. É
claro que as alterações não afetaram
subs-tancialmente a obra, senão excepcionalmente,
como se pode ler do "Aviso sobre esta nova edição",
inserido por Allan Kardec: 296
"Esta reimpressão pode, pois, ser considerada
como uma obra nova, posto não tenham os princípios
sofrido qualquer alteração, salvo muito
poucas exceções, que são antes
complementos e esclareci-mentos do que verdadeiras modificações."
Não obstante, elas aconteceram e ninguém,
senão os inimigos do es-piritismo, levantou por
isso suspeição da obra. A Roustaing, porém,
nada é perdoado...
Mas, afinal, quando e como surgiu o sobretítulo
Espiritismo Cristão ou Revelação
da Revelação? Vejamos. Menos de quatro
anos antes de ser indicado pelos espíritos o
título Os Quatro Evangelhos, isto é, em
dezembro de 1861 (exatamente oito dias após conhecer
Emilie Collignon), Roustaing voltou à casa da
médium, ocasião em que ela recebeu a mensagem
dos evangelistas, assistidos pelos apóstolos,
através da qual fora indicada a missão
que estava destinada ao advogado bordelense. E, então,
a certa altura, escreveram aqueles espíritos:
"Dans ce but, nous venons, nos bien-aimés,
vous faire entreprendre l'explication, en esprit et
en vérité, des évangiles, qui doit
préparer l'unité des croyances parmi les
hommes, et que vous pouvez appeler: la révélation
de la révélation."
Ao traduzir para o português, Guillon Ribeiro
o fez assim: 297
"Com esse objetivo nós, oh! bem-amados,
vimos incitar-vos a que empreendais a explicação
dos Evangelhos em espírito e verdade, explicação
que preparará a unificação das
crenças entre os homens e à qual podeis
dar o nome de Revelação da Revelação."
Guillon calcou sua tradução naquela a
que ele chamou (equivocamente, como veremos bem mais
adiante) de 2ª edição francesa, e
a qual não era mais do que a 2ª tiragem
de 1882. Por isso repetiu também a palavra "explicação",
eliminou os dois pontos antes de "Revelação
da Revelação" que, por seu turno,
em vez de ser composto em versalete, passou a sair grifado
e com maiúsculas. Na 1ª tiragem (que Guillon
Ribeiro supunha ser uma 1ª edição)
esses detalhes são diferentes.
Por que Guillon procedeu dessa maneira? Induzido, sem
dúvida, pelo realce dado na 2ª tiragem,
onde a expressão apareceu em versalete, a isso
podendo ser aliado, em especial, o fato de que o próprio
Roustaing a transpusera para o alto do frontispício
da obra (página de rosto).
Ora, em nenhum momento, em nenhum lugar em que a expressão
aparece, na 1ª tiragem, ela está realçada.
Consultem-se, além da p. XXII já citada,
onde a lemos na primeira referência feita pelos
espíritos, mais as páginas 2, 11, 12,
14, 15, 18, 21, 24, 34, 46, 56, 61, 62, 64, 65, 67,
70. (Há uma outra referência anterior,
na página XII, mas feita por Roustaing, não
pelos espíritos. Examinaremos esse detalhe algumas
linhas mais adiante.) Em todas elas a expressão
revelação da revelação aparece,
nos respectivos textos, de forma absolutamente normal,
sem quaisquer destaques. Na 2ª tiragem, sim, surgem
os primeiros sinais modificadores. Já no Prefácio
desta, conforme vimos, ela aparece em versalete e, no
texto apensado à obra pelos discípulos
de Roustaing, aparece em grifo nas páginas 20,
68, 69, 71, 73, 74, 81 e 82; e toda em caixa alta, no
longo título das páginas 51 e 67: "Du
caractère et de 1'importance de la Révélation
de la Révélation comme ouvrant la phase
théologique, son apportunité "manifeste
et incontestable''. (Esse título é rigorosamente
o mesmo nas duas páginas citadas, 51 e 67.)
Muito bem. Que quer dizer tudo isso? Simplesmente que
o único título da obra sempre foi apenas
Os Quatro Evangelhos, seguidos dos Mandamentos, Explicados
em espírito e verdade, de acordo com os ensinos
ministrados, quanto aos Evangelhos, pelos Evangelistas
assistidos pelos Apóstolos e, quanto aos mandamentos,
por Moisés e pelos Evangelistas assistidos pelos
Apóstolos".
Tal como o recomendaram os espíritos, em maio
de 1865, segundo se lê na p. XXVIII do vol. I
da 1ª tiragem e na p. 73 do vol. IV da 5ª
edição da FEB. Anteriormente, em dezembro
de 1861, os espíritos não estavam se referindo
ao título do livro, mas ao sentido geral do trabalho,
ao objetivo que tinham em mira, isto é, a "explicação
dos Evangelhos em espírito e verdade, explicação
que preparará a unificação das
crenças entre os homens". A essa explicação,
que defluiria da obra toda, Roustaing poderia chamar
a revelação da revelação.
Roustaing, porém, terá visto nesse trecho
um achado literário e transportou-o para o frontispício
da obra, a ele justapondo, inclusive, uma extensão
ainda mais esclarecedora do assunto a ser tratado: Espiritismo
cristão. Ou será que Roustaing supôs,
por evidente equívoco, que lhe fora realmente
determinado, naquelas palavras dos espíritos,
que fizesse delas uma espécie de sobretítulo?
É difícil saber. Se isso aconteceu, está
óbvio que Roustaing se equivocou. Prefiro entretanto
acreditar que ele sabia muito bem o que estava fazendo
e que usou a expressão pura e simplesmente à
guisa de complementação, para aclaramento
do conteúdo da obra que se ia ler e cujo único
título era, de fato, Os Quatro Evangelhos.
Todavia, depois de impresso, o efeito acabou influenciando
sensivelmente os discípulos de Roustaing que,
certamente traídos por aquele mesmo efeito, prepararam
o seu trabalho introdutório da 2ª tiragem,
dando já então caráter mais forte
à expressão, por isso mesmo grafando-a
ora em grifo, ora em maiúsculas. Guillon Ribeiro
acompanhou essa alteração, dando-lhe ainda
maior destaque e definitiva característica titular,
aspeando invariavelmente a expressão e aplicando
os dois RR em maiúsculas. A única exceção
está na p. 71 do vol. IV, onde revelação
da revelação aparece grafada como qualquer
outra palavra. Possível distração
de Guillon Ribeiro, já que contraria seu critério
em toda a obra. Essa distração deve ter
origem no fato de Guillon Ribeiro haver dividido em
duas partes o Prefácio de Roustaing, lançando
no volume IV o trecho citado, com o que se dividira
também a sua atenção. Assim, a
expressão passou à posteridade praticamente
como um segundo nome da obra, o que, a rigor, nunca
foi. O tempo se incumbiu de consagrar o sobretítulo
"Revelação da Revelação"
que, já agora, ninguém mais vai reduzir
à sua primitiva e verdadeira significação.
Eu mesmo, como o leitor tem constatado, aplico-o freqüentemente
nesta obra.
Por importante que é lembro que, ao apresentar
a obra ao seu leitor, Roustaing se refere a Os Quatro
Evangelhos e não à "Revelação
da Revelação": 300
"Submeto ao exame e à meditação
de meus irmãos Os Quatro Evangelhos e, em seguida,
Os Mandamentos, explicados em espírito e verdade."
Devo acrescentar, a essa altura, um pequeno esclarecimento
que me parece oportuno, embora de menor importância.
Quem lê o Prefácio de Roustaing, tanto
da 1ª quanto da 2ª tiragem, verificará
que teria sido ele, e não os espíritos,
quem primeiro empregou a expressão revelação
da revelação. Nos textos das pp. XII (da
lª tiragem), 9 (da 2ª tira-gem) e 62 (da tradução
de Guillon) é Roustaing quem diz, precedendo
a alusão dos espíritos, que só
aparece nas pp. XXII (da 1ª tiragem), 14 (da 2ª
tiragem) e 65 (da tradução de Guillon):
... "senti a impotência da razão humana
para penetrar as trevas da letra e, desde então,
a necessidade de uma revelação nova, de
uma reve-lação da Revelação".
Na 1ª tiragem: d'une révélation de
la révélation, sem qualquer destaque;
na 2ª tiragem: D'UNE RÉVÉLATION DE
LA RÉVÉLATION, composto em versalete.
Portanto, ainda aqui não se pretendeu dar sentido
de título à expressão. E o fato
de ela preceder, no Prefácio, a mensagem dos
espíritos, significa apenas, pela lógica,
que Roustaing, ao redigi-lo, já tinha à
mão todos os dados, inclusive aquela mensagem.
Assim, mais não fez do que aproveitar a expressão,
no momento em que a inspiração de autor
lhe adveio. Afinal, os prefácios são escritos
quando se chega ao término duma obra... Seja
como for, ainda ali, naquele trecho, não vemos
a expressão significando, sequer na forma gráfica,
um título. Salvo na 2ª tiragem e na tradução
brasileira que, como já vimos, deram ênfase
ao que apenas se referia a uma temática geral,
ao espírito da obra, não ao seu título
propriamente. Este comentário eu o faço
apenas para sublinhar que foram certamente os espíritos
e não Roustaing que primeiro usaram a expressão,
embora ela apareça em ordem inversa no texto
do Prefácio.
Mas, ainda que sem o sentido de título ou mesmo
aceitando a ex-pressão como um sobretítulo
complementar, adrede aproveitado por Roustaing (como
suponho e já externei) para encimar o frontispício
da obra, cabe agora rebuscar o propósito fundamental
desse aproveitamento. Nem os espíritos, nem Roustaing
tiveram a pretensão de apresentar uma Revelação
acima da Revelação Espírita (codificada
por Allan Kardec), mas tão-somente objetivaram
um desdobramento, uma nova angulação,
um novo aprofundamento da matéria. Tanto que,
na página 102 da Introdução do
vol. I da 5ª edição brasileira lemos:
... "quando, enfim, a revelação espírita
(1), obra dos Espíritos em missão de preparar
e de iniciar a nova era, levou os homens a entender
a causa natural de fatos que, na grande obra da revelação
messiânica, recolhida nos Evangelhos, foram chamados
milagres, julgados fora da Natureza, tachados de mentiras".
O número 1 do parêntese leva o leitor a
uma nota de rodapé que diz:
"(1) Essa revelação tem sua base
formulada em 'O Livro dos Espíritos' e em 'O
Livro dos Médiuns'.
Veja-se, pois, o profundo respeito ao trabalho principal,
que foi o de Allan Kardec e que não apenas preparou
a nova era, mas deu-lhe início. Portanto, a Revelação
Espírita foi o ponto de partida, à qual
a missão de Roustaing apenas deu natural continuidade,
por sinal dentro do ensinamento do próprio Codificador,
quando afirmou que ele não diria senão
a primeira palavra em matéria de espiritismo,
pois que a revelação é contínua
e progressiva. Diz-se, conseguintemente, revelação
da Revelação como quem hoje poderia também
dizer, ao se referir à missão complementar
de Sua Voz, através da mediunidade de Pietro
Ubaldi: revelação da revelação
da Revelação. Isto é, um novo e
ainda maior aprofundamento da matéria básica.
Ou mesmo às extensões esclarecedoras de
André Luiz pela faculdade de Francisco Cândido
Xavier.
É claro que, ao transformar-se em mais outro
título da obra, o primeiro vocábulo ganhou
também um R maiúsculo: a rigor, porém,
apenas o segunde vocábulo o exigiria, porque
alusivo à Revelação Espírita,
anterior, fundamental, preparadora e iniciadora. E quando
por mais de uma vez foi aplicado o adjetivo nova, relativamente
à revelação dada a Roustaing, não
se pretendeu, absolutamente, inovar coisa alguma, mas
apenas situá-la, no tempo, como posterior à
"base formulada em O Livro dos Espíritos
e O Livro dos Médiuns". Tanto que Allan
Kardec foi o primeiro a afirmar que a Revelação
da Revelação não contrariava em
nenhum ponto os princípios contidos naqueles
dois livros por ele lançados ao público.301
É como se fora a nova edição de
um livro, mas apenas ampliada, jamais alterada na sua
substância ou entendida como superior à
primeira, no que diz respeito ao conteúdo intrínseco.
Convém não ignorar que novo quer significar,
antes que tudo, "de pouco tempo", "moderno",
"recente", "que tem pouco uso".
302
Por outro lado, há a lembrar que Allan Kardec
foi quem designou o espiritismo de Terceira Revelação,
considerando o Decálogo mosaico como sendo a
Primeira Revelação, e o Cristianismo,
a Segunda. ("O Espiritismo é a terceira
revelação da lei de Deus")303 Ora,
não quis ele dizer senão que o espiritismo
viera desdobrar, aclarar o cristianismo; jamais se sobrepor
a ele, ou, mesmo, ampliá-lo. Não. Houve
apenas uma sucessão temporal para efeito de melhor
compreensão da verdade. Lemos em Allan Kardec:
304
"Assim como o Cristo disse: 'Não vim destruir
a lei, porém, cumpri-la', também o Espiritismo
diz: 'Não venho destruir a lei cristã,
mas dar-lhe execução'. Nada ensina em
contrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve,
completa e explica, em termos claros e para toda gente,
o que foi dito apenas sob forma alegórica."
304
Pois bem, com Roustaing podemos fazer o seguinte paralelo:
"Assim como Allan Kardec disse: 'O Espiritismo
não veio destruir a lei cristã, mas dar-lhe
execução', também a Revelação
da Revelação diz: 'Não venho destruir
a lei espírita, mas dar-lhe execução'.
Nada ensina ao contrário do que ensinou Allan
Kardec; mas desenvolve, com-pleta e explica, em termos
claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob
forma alegórica."
Por oportuno registro aqui que também Bezerra
de Menezes fez uso dessa expressão, aplicando-a
numa relação do espiritismo com o cristianismo.
E não creio que por isso se deva criticar o Kardec
brasileiro. Assim ele escreve, na pág. 1 do Reformador
de 1.3.1896 (artigo V, 3ª coluna):
"E como é o Espiritismo, revelação
da revelação messiânica, que veio
dar à luz para interpretação do
Evangelho em espírito e verdade, segue-se que
outra não pode ser a orientação
dele emanada, senão a que indiquei: estudo, compreensão
e difusão do Evangelho, à luz da nova
revelação."
Embora se aluda à obra como de Roustaing, é
claro que não foi ele o seu autor, mas os evangelistas
e Moisés, assistidos pelos apóstolos.
Da mesma forma se fala, vulgarmente, da obra de Kardec,
embora se saiba, igualmente, que ele foi apenas o codificador
da Revelação Espirita. (Canuto de Abreu
defende uma tese que esposo de bom grado. Ela está
na apresentação do seu livro O Primeiro
Livro dos Espíritos, segundo a qual a Revelação
Espírita foi exposta na 1ª edição
de O Livro dos Espíritos, aparecida em 18 de
abril de 1857. A segunda edição (definitiva),
de 18 de março de 1860, contém a Filosofia
Espírita, de cuja elaboração Allan
Kardec participou direta, pessoal e sensivelmente. Eu
ainda acrescentaria, de minha parte: a doutrina espírita,
por seu turno, está contida no pentateuco kardequiano
e nas obras subsidiárias.) Roustaing, portanto,
foi também mero instrumento, disso dando testemunho
mais de uma vez. Moisés, Mateus, Marcos, Lucas
e João, assistidos pelos apóstolos, ditaram
toda a obra, mas um deles, que não sabemos quem
foi, ficou à testa dos trabalhos: 307
"O trabalho é geral. Se bem que os nomes
nem sempre sejam declinados, um de nós presidiu
sempre à inspiração."
Contudo, acima deles e, mesmo, acima daquele que, como
dito antes, presidiu à inspiração,
havia um espírito ainda mais elevado, como se
pode ler a seguir: 308
"Damos nomes para evitarmos nomear aquele que,
por nosso inter-médio, dirigiu estes trabalhos
e dirigirá os que ainda temos que fazer sejam
empreendidos."
Quem era? Só poderia ser o Espírito de
Verdade, isto é, o próprio Cristo. Tal
qual ocorreu com os trabalhos da Revelação
Espírita, exposta por Allan Kardec.
Se bem que seja fácil apreender o objetivo visado
pela grande obra recebida em Bordeaux, os espíritos
reveladores deixaram-no bem claro, em diversas oportunidades.
Mas, a primeira informação vem do próprio
Roustaing que, obviamente, estava reproduzindo, naquela
hora, o pensamento dos espíritos: 310
"Com esta obra, que eles nos fizeram executar e
que damos à publicidade, os ministros do Senhor,
explicando em espírito e verdade os Evangelhos
e os Mandamentos, têm por fim a felicidade do
gênero humano e sua purificação.
Ela é publicada com a intenção
de glorificar e honrar a Deus e de dar aos homens paz,
esperança e ventura, por isso que prepara o advento
da unidade das crenças e da fraternidade humana
e, pois, mediante o cumprimento das promessas do Mestre,
o advento do reino de Deus na Terra, sob o império
da lei de amor e de unidade. Confiamos que alcançará
esse objetivo. J.-B. Roustaing. Junho de 1865."
Estas palavras são mais ou menos as mesmas no
vol. I e no vol. IV. Ocorre que, no original francês,
a primeira citação é da 1ª
tiragem da obra, e a segunda é da 2ª tiragem.
Desse assunto falarei mais adiante. Mas, sobre aqueles
objetivos cabe ainda um rápido comentário.
Criticou-se Roustaing também por esse lado. A
crítica, porém, mais uma vez se esqueceu
de consultar Kardec, que assim falou da doutrina espírita:
311
"Ela não proveio de nenhum culto especial,
a fim de servir um dia, a todos, de ponto de ligação."
("Elle n'est sortie d'aucun culte spécial,
afin de servir un jour à tous de point de ralliment.")
Voltemos ao objetivo da Revelação da Revelação,
que ainda prometia, ao vir a lume, um outro ensino:312
"Agora que o terreno foi lavrado em todos os sentidos
pelos traba-lhadores do pensamento, a revelação
da revelação tem que ser conhecida e publicada,
porquanto a obra que vos fizemos empreender vem explicar
Jesus aos homens, tal como ele se apresenta aos olhos
do pensador es-clarecido pela luz espírita."
Não obstante, foi categoricamente esclarecido
a Roustaing que a tarefa depositada em suas mãos
era apenas uma primeira parte, uma espécie ainda
de intróito ao trabalho todo, que se prolongaria
numa segunda parte, também esclarecedora dos
textos evangélicos e que alcançaria o
seu ponto mais alto com o advento do Regenerador, "Espírito
que desempenhará a missão superior de
conduzir a humanidade ao estado de inocência,
isto é: ao grau de perfeição a
que ela tem de chegar".313 Finalmente, em época
que ninguém sabe, teremos a segunda vinda do
Cristo, conforme se lê nos Evangelhos,314 em Kardec315
e em Roustaing. 316
Mas, voltemos rapidamente à informação
de Roustaing quanto ao anúncio de que Os Quatro
Evangelhos eram apenas "uma obra preparatória",
conforme se lê no Prefácio do vol. I 317
e, depois, novamente no Prefácio do vol. IV,
desta feita em esclarecimento feito pelos próprios
evangelistas e Moisés, assistidos pelos apóstolos:
319
"Fica sabendo e faze saber a teus irmãos
que a obra "que lhes colocas sob as vistas é
uma obra preparatória, ainda incompleta, uma
entrada em matéria; que não passa de um
prefácio da que sairá das mãos
daquele que o Mestre enviará para esclarecer
as inteligências e despojar inteiramente da letra
o espírito. (As aspas antes do que estão
também no original francês, à p.
XXVIII. Guillon Ribeiro, portanto, as conservou. Data
vênia, aparentemente estão fora de propósito.)
"Aquele que há de desenvolvê-la e
cuja obra também será preparatória
não tardará a se dar a conhecer, porquanto
a atual geração humana verá os
seus primeiros anos messiânicos. E os messias,
isto é, os enviados especiais se sucederão
até que a luz reine sobre todos." Estou
convencido de que se trata de Pietro Ubaldi.
Em 1861, a notícia já havia sido dada,
na primeira manifestação ocorrida através
de Collignon, quando Roustaing a visitou pela segunda
vez: 321
"A vós, pioneiros do trabalho, cabe a tarefa
de preparar os caminhos, enquanto esperais que aquele
que há de vir para traçar o roteiro comece
a sua obra."
Finalmente, no mesmo volume, na pág. 74: 322
"O que vais publicar será a Primeira Parte
da obra geral. A segunda se comporá: 1º
da refutação das objeções
que esta primeira parte sobre os Evangelhos e os Mandamentos
provocar; 2º da explicação, em espírito
e verdade, dos Atos dos Apóstolos, das Epístolas,
nas passagens que delas extrairemos para dar autoridade
ao presente; da revelação, chamada Apocalipse,
que João recebeu na ilha de Patmos. (...)
"Moisés, Mateus, Marcos, Lucas, João.
"Assistidos pelos apóstolos.
"Maio de 1865."
É preciso ordenar os fatos para não confundi-los,
como querem os adversários de Roustaing. A segunda
parte seria efetuada por grandes missionários
no máximo do quilate de Roustaing e Collignon.
Não seria, pois, tarefa do Regenerador. Este
é prometido para objetivo bem mais alto, isto
é, o encaminhamento da humanidade à perfeição.
Ao missionário encarregado de executar a segunda
parte da obra caberia tarefa bem menor, ainda que honrosa
e importante: "Aquele que há de desenvolvê-la
e cuja obra também será preparatória."
Nesta altura dos esclarecimentos, permito-me uma suposição.
Tenho para mim - mera especulação pessoal
- que o Regenerador será João Batista
de volta à Terra. Precursor de Jesus há
dois mil anos, será nova-mente seu Precursor
quando a humanidade estiver às vésperas
da segunda vinda do Salvador. Que João Batista
voltará não há a menor dúvida,
segundo se lê na p. 233 do vol. II de Os Quatro
Evangelhos:
"Elias-João, o Precursor, ainda reaparecerá
no meio de vós. Sua presença assinalará
um imenso progresso, tanto no terreno moral, como no
da ciência. Sua futura missão consistirá
em alargar o círculo das vossas idéias,
dos vossos conhecimentos, fortificando em vós
o amor universal e a caridade que lhe é conseqüente."
Note-se pois que, tanto a sua futura missão quanto
a do Regene-rador são da mesma grandeza, sendo
também, pelo que se conclui, do mesmo gabarito
moral-intelectual as duas entidades espirituais. Logo,
podem perfeitamente ser a mesma, como suponho. (A propósito
desse espírito, Canuto Abreu faz-lhe, veladamente,
alusão pouco generosa, nas páginas 84/85
do seu opúsculo Adolfo Bezerra de Menezes, edição
da Federação Espírita do Estado
de São Paulo, 1951: "Se, no futuro, depois
de reduzida à mais completa ruína a atual
civilização, surgir um Regenerador, que
venha inaugurar a Nova Era, como se anuncia, somente
uma religião baseada na ciência ligará
todos os homens numa só verdade." O autor
está analisando o papel dos "místicos",
entre os quais inclui os rustenistas.)
Mas ocorrerá, também, a volta dos outros
discípulos de Jesus, sem que se trate dos missionários
incumbidos da elaboração da segunda parte
da obra. Alega-se, com ironia, que estes não
vieram, conforme o anuncia-do, servindo essa alegação
de mais um enganoso motivo da campanha contra Roustaing
e Os Quatro Evangelhos. Desses messias, porém,
cogitarei no cap. XIII. Já a volta dos discípulos,
esta também deverá ocorrer, embora bem
depois, talvez ao ensejo da própria volta de
João Batista (o Regenerador, na minha suposição).
A promessa está na pág. 169 do vol. II
da 5ª edição de Os Quatro Evangelhos.
Resumindo: Primeiramente vieram Roustaing e Collignon;
posterior-mente, viriam os missionários que se
encarregariam da elaboração da segunda
parte de Os Quatro Evangelhos (refutação
às objeções; expli-cação
dos Atos, das Epistolas e do Apocalipse); bem mais adiante,
retor-narão os discípulos (acabar a obra
que começaram); possivelmente por essa mesma
época, virá também o Regenerador,
que talvez seja o próprio João Batista
(condução da humanidade à perfeição;
obtenção da unidade de crença entre
os homens; fortalecimento do amor universal); final-mente,
haverá a segunda vinda do Cristo (o Reino de
Deus).
Ordenadas desta maneira as promessas missionárias
e escatológicas, remontemos novamente aos seus
primeiros momentos, quando Roustaing, em cumprimento
à parte que lhe cabia ao lado de Collignon, aprontou
a obra reveladora e afinal lançou-a ao público,
no venturoso ano de 1866. E aqui acresce um outro aspecto
dignificante, à altura real-mente do estofo moral
e da humildade dos verdadeiros missionários.
No seu Prefácio, Roustaing teve o cuidado nobilitante
de nada impor, nada forçar, nada exigir senão
que lessem a obra inteira e sem espírito pre-concebido.
Ele sabia bem que os negadores logo se materializariam,
como o fizeram também diante de O Livro dos Espíritos.
Por isso, Roustaing é bastante cauteloso, respeitador
da posição alheia e, até, exemplo
duma humildade digna dos grandes espíritos, já
que sua linguagem ini-cial é de submissão
ao exame e à meditação de seus
irmãos. São dele estas palavras de maravilhosa
autocrítica, logo no primeiro parágrafo
do seu Prefácio:
"Submeto ao exame e à meditação
de meus irmãos Os Quatro Evangelhos e, em seguida,
Os Mandamentos, explicados em espírito e verdade."
(Vol. I, p. 57 da edição da FEB. Aproveito
para chamar novamente a atenção do leitor
para o fato de que, ao apresentar a obra, Roustaing
escreve Os Quatro Evangelhos e não Revelação
da Revelação.)
Depois, pediu apenas que não fosse lido pela
metade (e há, como é sabido, até
mesmo os que nem pegaram na obra mas a condenam!). A
obra - disse Roustaing - é indivisível:
324
"A meus irmãos, quaisquer que eles sejam,
quaisquer que sejam suas crenças, o culto exterior
que professem, corre o dever de não se pronunciarem
sobre esta obra senão depois de a terem lido
integralmente e de terem seriamente meditado na explicação
dos Evangelhos e dos Mandamentos. Indivisível
no conjunto, suas diversas partes são solidárias
e mutuamente se apóiam."
Seja como for, Roustaing estava consciente - porque
avisado disso - de que, mesmo lida e estudada integralmente,
a obra produziria discus-sões, dissensões.
Tal qual ocorreu com a obra de Kardec. Tal-qualmente
aconteceu com a obra do Cristo... É que a verdade,
antes de iluminar-se diante dos homens, tem de confrontar-se
com a mentira. Isso o disse o próprio Roustaing:
325
"A responsabilidade do Espírito está
sempre em correlação com os meios postos
ao seu alcance para que ele se instrua e a verdade,
para triunfar, para ser aceita, tem primeiro que se
chocar com as contradições dos homens."
Essa colocação dialética é
reafirmada mais adiante por Roustaing que, entretanto,
alia às contradições humanas o
papel da liberdade, do tempo e do progresso, ao sublinhar
que "a verdade acaba sempre por conquistar entre
os homens, definitivamente, o direito de cidade, por
obra da liberdade de consciência, de razão,
de exame, debaixo da ação do tempo, do
progresso das inteligências e das contradições
humanas, que, inelutavelmente, concorrem para fazê-la
brilhar em toda a sua pureza e esplendor". 326
Essa verdade, no entanto, se ajustará a novas
verdades futuras, porque é permanente o seu desdobramento,
conforme disseram os evangelistas e Moisés: 327
"A semente destinada a germinar durante mil e oitocentos
anos deixou muitos grãos para alimento do erro,
porque, em tempo algum, a verdade inteira pode ser desvendada
à humanidade."
Eis, em síntese, as recomendações
e os critérios dos espíritos para a publicação
da obra, bem como as promessas futuras e o reto comportamento
de J.-B. Roustaing diante dela. Eis, principalmente,
a origem do título Os Quatro Evangelhos, proposto
pelos próprios evangelistas, assistidos pelos
apóstolos, e do sobretítulo Revelação
da Revelação, oriundo de simples passagem,
de sentido geral, encontrada na primeira mensagem daqueles
mesmos espíritos. Isto posto, convido o leitor
agora ao exame pormenorizado do histórico lançamento
da 1ª edição francesa (com suas duas
tiragens), assim como das traduções co-nhecidas
no mundo, em particular a brasileira.
Os Quatro Evangelhos foram publicados, pela primeira
vez, em 3 volumes, in-12, sob o seguinte título
geral:
Spiritisme Chrétien ou Révélation
de la Révélation - LES QUATRE ÉVANGILES
Suivis des Commandements expliqués en esprit
et en vérité par les évangélistes
assistés des apôtres - Moïse, recueillis
et mis en ordre par J.-B. Roustaing. Avocat à
la Cour impériale de Bordeaux, ancien bâtonnier.
[Citações evangélicas] - Tome Premier
- Paris. Librairie Centrale, 24, Boulevard des Italiens.
1866 - Tous droits réservés. Bordeaux,
imprimerie Lavertujon, 7, rue des Treilles.328
Os volumes foram impressos na própria cidade
de Bordeaux pela Imprimerie Lavertujon, 7, rue des Treilles,
e lançados pela Librairie Centrale, 24, Boulevard
des Italiens, Paris, 1866. Todos os direitos reservados.
Preço: 10 fr. 50.
Ignora-se quantos exemplares foram impressos dessa primeira
tiragem, que apareceu em 5 de abril (2 volumes) e 5
de maio (último volume) de 1866, conforme se
lê na nota mandada publicar por A. Bez, no nº
41, de abril daquele ano, de L'Union Spirite Bordelaise.
O primeiro volume tinha 494 páginas; o segundo,
703; e o terceiro, 554. Em janeiro do ano seguinte a
Revue Spirite publicava carta de Roustaing dirigida
a Kardec, através da qual pede seja feito o re-gistro
de pequena omissão havida no 3º volume.
E, então, diz:
... "obra com que, em abril e maio últimos,
presenteei a direção da Revista Espírita".
A remessa foi feita, portanto, em duas vezes, ao tempo
em que os volumes foram saindo do prelo. Em junho de
1866, Kardec fazia a apreciação da obra.
Um ano antes, em maio de 1865, quando todo o material
se encontrava pronto, os espíritos recomendaram,
então, a Roustaing: 330
"A publicação poderá começar
no próximo mês de agosto. A partir dessa
época, trabalha com a maior presteza possível,
mas sem ultrapas-sar os limites de tuas forças,
de tal sorte que a publicação esteja concluída
em agosto de 1866."
Creio que a recomendação era, talvez,
no sentido de ser providenciada a impressão a
partir de agosto de 1865. Isto porque, não se
tem nenhuma notícia de que a obra houvesse sido
antecipada pela imprensa ou em fascículos avulsos.
Essa hipótese não é absurda, mas
é muito estranho que ninguém dela houvesse
falado. Kardec certamente teria feito eventual registro
na Revista Espírita, caso algum órgão,
como por exemplo L'Union Spirite Bordelaise, houvesse
antecipado a publicação em capítulos.
L'Union Spirite Bordelaise foi o resultado da fusão,
em meados de 1865, de La Ruche Bordelaise (fundada em
1º.6.1863), do Sauveur des Peuples, da Lumière
e da Voix d'Outre-Tombe (estes três fundados em
1864). A nova L'Union Spirite Bordelaise foi, inclusive,
citada expressamente por Roustaing em nota de rodapé
do vol. I de Os Quatro Evangelhos (p. 364 da 5ª
edição da FEB). Essa publicação
saiu regularmente pelo menos até os primeiros
meses de 1866 e teria podido, portanto, fazer a divulgação
seriada da obra. Não obstante, repiso, estou
fortemente inclinado a admitir que os espíritos
se referiram não propriamente à publicação,
mas à impressão, a partir de agosto de
1865 e até agosto de 1866. Sendo assim, conforme
já demonstrei, a tarefa missionária não
ocupou todo esse tempo. Em abril e maio de 1866 estava
terminada e o livro lançado ao público.
É curioso anotar que nem sempre o curso do trabalho
obedeceu a uma seqüência cronológica
exata. Isso é fácil de observar pelas
onze notas de rodapé colocadas por Roustaing,
quando achou conveniente esclarecer em que datas tinham
sido recebidas determinadas lições. Roustaing,
ou os próprios espíritos, coordenou ao
final a matéria de modo a dar-lhe continuidade
lógica e adequada. Essa atitude - volto a dizer
- não deve causar estranheza, já que a
vemos, igualmente, da parte de Allan Kardec em relação
a O Livro dos Espíritos, cuja 1ª edição
continha 5O1 questões, e a 2ª, que passou
a ser a definitiva, 1019 questões. Kardec apenas
desdobrou vários assuntos, como alterou a ordem
e até suprimiu alguns pontos.
Mas, voltemos à obra de Roustaing, enveredando
agora por caminho histórico verdadeiramente fascinante
em relação à 1ª edição
de Les Quatre Évangiles. Quem folheia algum dos
raríssimos exemplares ainda hoje existentes dessa
1ª edição e se detém em observação
mais demorada vai estranhar, com certeza, algo que realmente
não produz menos do que a mais profunda estranheza.
É que, tratando-se da 1ª edição
(portanto, de 1866), como explicar que alguns exemplares
tenham, além do Prefácio, uma longa Introdução
que outros exemplares não têm? E mais (aqui,
o aspecto verda-deiramente perturbador): como entender
que no bojo da edição de 1866 possa existir,
como de fato existe, a partir da pág. 18 (parte
prefacial) do volume I, datas e fatos ulteriores àquele
ano, particularmente a apreciação feita
pelos discípulos de Roustaing, escrita em 1882
sobre o que Allan Kardec dissera a respeito da obra,
na Revista Espírita de junho de 1866, ao acusar
o seu recebimento? (Ou feita por um único de
seus discípulos, que suponho quem seja. Veremos
isso mais adiante.)
Bem, o que se sabe e se pode deduzir, pelo exame, é
o seguinte. A 1ª edição se constituiu
de dois lançamentos, ou duas distribuições,
ou ainda - hipótese muito menos provável
- de duas impressões. A qualquer dessas hipóteses,
desde que não é possível assegurar
com total certeza qual delas é historicamente
a verdadeira, achei por bem denominar de TIRAGEM. O
que houve, portanto, foi o desdobramento da lª
edição em duas tiragens. Quando a lª
tiragem saiu, em 1866, Roustaing imediatamente enviou
uma coleção ao seu mestre Allan Kardec,
em Paris. Ele fez a remessa, conforme já apontei,
em duas etapas, respectivamente em abril e maio. O Codificador
divulga, então, em junho daquele mesmo ano, o
seu famoso comentário na Revista Espírita.
A propósito desse comentário, os discípulos
de Roustaing fizeram publicar um opúsculo, em
1882, intitulado: Les Quatre Évangiles de J.-B.
Roustaing. Réponse à ses critiques et
à ses adversaires, édité par les
élèves de J.-B. Roustaing. (Os Quatro
Evangelhos de J.-B. Roustaing. Resposta a seus críticos
e a seus adversários, editado pelos discípulos
de J.-B. Roustaing. Penso que o autor desse opúsculo
foi Jean Guérin. Estou absolutamente certo disso
pelas razões e elementos que apresentarei mais
adiante, praticamente irrefutáveis.)
Assim então, quando a 2ª tiragem de Les
Quatre Évangiles era colocada à venda
(inclusive por outro livreiro), já trazia o encarte
desse opúsculo e, também, a eliminação
(provavelmente para conservar o mes-mo número
total de páginas) da Introdução,
de Roustaing. Eis, pois, configurado o estranho fato
de a 1ª edição de Os Quatro Evangelhos
circular com comentários feitos sobre ela mesma,
publicados a posteriori na imprensa.
No mais, se bem repararmos, verificaremos ainda um salto
na seqüência das páginas da 2ª
tiragem, que de 88 passa outra vez para 1. A supressão
da Introdução não alterou a seqüência
porque, já antes, na lª tiragem, ela estava
também paginada com numeração em
separado, isto é, ia de 1 a 75. Ficaram, portanto,
elas por elas.
E por que não se trata duma 2ª edição?
Simplesmente porque toda a impressão do miolo
é absolutamente a mesma; as matrizes são
rigorosamente as mesmas, salvo quanto ao Prefácio,
aos títulos de abertura, ao ende-reço
da tipografia, à folha de rosto e à advertência
sobre a errata, além, naturalmente, da inclusão
da resposta dada a Kardec pelos discípulos de
Roustaing. É bem verdade que o termo tiragem
implica nova entrada em máquina, ou seja, nova
impressão. Posso porém provar que não
houve nova impressão, mas apenas novo alceamento
de exemplares remanescentes da 1ª edição,
guardados em cadernos ou, até mesmo, descosturados
e desencapados, para receberem o novo encarte. Repiso,
entretanto, que optei de qualquer forma pelo termo tiragem
exatamente porque não posso eliminar por completo
nenhuma das hipóteses aventadas, inclusive a
de nova impressão, ainda que nesta seja quase
impossível crer-se. Assim, 2ª tiragem, para
mim, designa a circulação, a partir de
1882, dos exemplares modificados. Nova impressão,
com aproveitamento da mesma composição
eventualmente guardada, representaria um custo operacional
a que não acredito que nenhum editor se aventurasse
naquela época. Os tipos tinham de ser rapidamente
redistribuídos nas caixas; não ficariam
cerca de dezesseis anos (!) presos nas ramas. Já
o recurso da produção de matrizes (clichês
de páginas) ainda não existia. Além
disso, penso liquidar a dúvida em face do seguinte:
numa nova entrada em máquina, a gráfica
teria aproveitado para corrigir alguns enganos antes
registrados e, principalmente, não deixaria de
acrescentar um trecho omitido, sobre o qual Roustaing
pedira a seus leitores a inclusão, através
da Revista Espírita. É verdade que isso
forçaria uma pequena repaginação
(na imprensa chamamos essa solução de
"recorrer a matéria"), mas iria no
máximo até o final de algum capítulo.
Deste trecho e daqueles enganos falarei mais à
frente.
Examinemos ainda um outro aspecto interessante da questão.
Ao transcrever a apreciação de Kardec,
os discípulos de Roustaing, por equívoco,
ou adrede, para atualizar o encaixe, não copiaram,
"ipsis literis" a nota de rodapé contida
também na mesma Revista Espírita de junho
de 1866. Kardec registrara elementos da edição
recebida e que são os que indiquei linhas acima.
No entanto, na transcrição feita pelos
discípulos de Roustaing (p. 52), essa mesma nota
de rodapé se refere à 2ª tiragem
que, já então, por volta de 1882, estava
sendo vendida noutras livrarias e com o preço
acrescido de 1 franco, como eu já disse; de 10
fr. 50 c. passou para 11 fr. 50 c. Coloquemos em ordem,
agora, os elementos para completa clareza do exposto:
1. Em 5 de abril e 5 de maio de 1866 saiu a lª
tiragem da 1ª edição, impressa pela
Imprimerie Lavertujon, localizada na rue des Treilles,
7, em Bordeaux, e colocada à venda pela e na
Librairie Centrale, no Boulevard des Italiens, 24, em
Paris, ao preço de l0 francos e 50. A matéria
do Tomo Primeiro estava contida em 494 páginas.
O Tomo Segundo tinha 703 páginas. E o Tomo Terceiro,
654 páginas.
2. Em 1882 (pelo menos) circulou a 2ª tiragem da
1ª edição (exemplares remanescentes
ou uma improbabilíssima nova impressão
com o aproveitamento da composição) que
era a mesma impressa pela Imprimerie Lavertujon, porém,
colocada à venda, já então, pela
Librairie Spirite, na Rue des Petits-Champs, 5, em Paris;
pelo livreiro Edouard Feret, na Cour de 1'Intendance,
15, em Bordeaux; e pela Aimé Picot, Librairie
Nouvelle, na Place de la Comédie, 3, em Bordeaux.
Passou a custar 11 francos e 50 c. A matéria
do Tomo Primeiro, com 491 páginas, sofrera alterações.
O Tomo Segundo e o Tomo Terceiro mantiveram o mesmo
número de páginas.
Robustecendo a ilação de que as duas tiragens
não eram, efetivamente, edições
diferentes, há a considerar mais um importante
fato, do qual prometi falar em linhas atrás.
Trata-se da publicação, na Revista Espírita
de janeiro de 1867, pp. 31 e 32 (no original francês,
as pp. também são, coincidentemente, 31
e 32), de uma carta de J.-B. Roustaing dirigida a Allan
Kardec, a propósito de omissão havida,
por lapso de revisão, após a última
linha da p. 111 do vol. III de Os Quatro Evangelhos.
(Indicações, é claro, da lª
tiragem da edição francesa. Na 5ª
edição brasileira, da FEB, 1974, o lapso
está na p. 504 do vol. III. Na edição
de 1920, está na p. 477 do vol. III.) Isto foi
em 1867. Ora, os editores ou os discípulos de
Roustaing não deixariam de proceder à
correção ao ensejo duma 2ª edição.
Isso porém não ocorreu. Os novos volumes
da 2ª tiragem mantiveram aquela omissão.
Fica, pois, mais uma vez evidenciado que o miolo sempre
foi de fato o mesmo. Guillon Ribeiro - que supunha estar
traduzindo direto duma 2ª edição
francesa - manteve a omissão, que mantida está,
por sinal, nas edições brasileiras de
1942, 1954 e 1971! Para não falar nas anteriores,
de 1909 e 1920. A tradução divulgada pelas
páginas do Reformador - e a edição
de 1918, que só teve 1 volume, não chegaram
àquele ponto. (Falo noutro momento sobre essa
edição frustrada.) E sobre o trecho omitido,
escrevi à direção da Federação
Espírita Brasileira, que me prometeu fazer a
inclusão na próxima edição.
Poder-se-ia argumentar que a mesma distração
que vem mantendo a omissão nas edições
brasileiras motivou-a também numa eventual 2ª
edição francesa. Ora, não é
o caso, pois Guillon Ribeiro estava atento apenas à
tradução em si, desprevenido inteiramente
para aquela omissão. O mesmo não ocorreria
com os discípulos e os editores de Roustaing.
Por oportuno assinalo, nesta altura, que Guillon Ribeiro,
ao escrever as "Duas Palavras" para a sua
tradução de 1920, informou ao leitor (p.
6) que esta fora - já vimos isso - "calcada
sobre a segunda edição francesa".
Nesse passo, cometeu o mesmo engano dos discípulos
de Roustaing, referindo-se ao artigo de Allan Kardec,
na Revista Espirita, como tendo sido publicado em junho
de 1867 (p. 51 do vol. I). E ampliou esse engano porque,
além de não corrigi-lo para 1866, conforme
está no título, corrigiu o próprio
título, também, para 1867! Com efeito,
após o subtítulo "Resposta ao Artigo
de Allan Kardec" (p. 43), escreveu: "(Revista,
junho de 1867)", a despeito de, no original francês
em que se baseou, estar corretamente indicado: "(Revue
de juin 1866)". Há muitas outras falhas
tipográficas em todos os três volumes,
como tipos rebatidos, espacejamentos irregulares, alinhamentos
indevidos, tintagem sem uniformidade, etc., etc., etc.,
falhas essas sempre encontradas tanto na 1ª quanto
na 2ª tiragem. Sem falar na Errata, que é
rigorosamente a mesma em todos os volumes. 355
Mas a Errata, por ser a mesma (pp. 493/494), contém
um absurdo: a 2ª tiragem manda corrigir, nas pp.
IV e XIX do Prefácio, linhas 10 e 17 respectivamente,
enganos que já não existem naquela 2ª
tiragem. Exatamente porque o Prefácio foi composto
novamente e até modificado em alguns pontos.
A Errata da Introdução também perdeu
a razão de ser. Mas aqui não há
o que estranhar, pois houve a total eliminação,
na 2ª tiragem, daquela Introdução.
O detalhe serve apenas para comprovar, mais uma vez,
que o miolo era o mesmo nas duas tiragens. O caso do
Prefácio é diferente, porque foi mantido,
mas reduzido e modificado, por isso mesmo composto e
impresso outra vez. A mais grave errata motivou inclusive
uma nota especial da p. 689 do vol. II. .
Apesar de tudo houve, na verdade, uma pequena reimpressão
na 2ª tiragem: os títulos de abertura, o
endereço da tipografia, a página de rosto,
a advertência sobre a errata e todo o Prefácio
assinado por J.-B. Roustaing. Todavia, conscientes de
que não se tra-tava duma 2ª edição,
os editores mantiveram, corretamente, no pé da
pági-na, o ano de 1866. Poderiam tê-lo
mudado, já que pelo menos essa é uma das
páginas, como estou provando, que foram compostas
novamente e reimpressas. Não o fizeram por coerência
editorial e consciência profissional.
Quanto ao Prefácio, requer ele comentário
mais longo. Basta chamar a atenção, inicialmente,
para o gabarito do texto e a medida de linha que são
diferentes nas duas tiragens. Esses detalhes, porém,
tornam-se despiciendos, já que o texto em si,
se bem examinado, mostra cortes e alterações.
E, por isso mesmo, a história se complica. Mas,
antes de examiná-la, liquidemos qualquer resquício
de dúvida chamando a atenção para
os seguintes fatos:
O Prefácio da 1ª tiragem tem 107 parágrafos
composto em corpo l0 redondo, 1 nota de rodapé,
está datado (juin 1865), assinado por J.-B. Roustaing
no seu final e numeradas as páginas em algarismos
romanos, num total de XXXIII; o Prefácio da 2ª
tiragem tem 64 parágrafos compostos em corpo
9 redondo, sem nenhuma nota de rodapé, sem a
data, assinado no final por J.-B. Roustaing e suas páginas
estão numeradas em algarismos arábicos,
num total de 17.
Muito bem, sua nova impressão está provada.
Mas cabe uma pergunta realmente justa. Por que diminuiu
de tamanho? Quem o diminuiu? Quando foi modificado?
Diga-se, desde logo, que o texto da 2ª tiragem
ficou muito mais fluente, porque menos prolixo, escoimado
de excessivas subordinações oracionais
e de prescindíveis travessões, grifos,
vírgulas, apostos e redundâncias. Foram
ainda eliminados parágrafos gratuitos e abertos
outros muito apropriados. Enfim, o texto ficou bem melhor,
mais escorreito e mais castiço. O encurtamento
total é devido, em particular, à eliminação
completa dos fragmentos de uma das três manifestações
de João, filho de Zacarias e Isabel; do aviso
do pai de Roustaing diante da es-colha do filho para
a importante missão; da mensagem dos apóstolos,
de maio de 1865, recomendando que a publicação
deveria estar terminada em agosto do ano seguinte; da
alusão de Simeão a Jesus, cujo surgimento
na Terra traria disputas e contradições
(essa eliminação gera, também,
por conseqüência, a da única nota
de rodapé do Prefácio, a qual condu-zia
o leitor ao versículo evangélico correspondente).
Arrematando: quem fez o resumo tinha talento, sabia
o que estava fazendo, contribuiu verdadeiramente para
aprimorar o Prefácio, cuja substância permaneceu,
não obstante, inalterável. Qualquer pessoa
logo dirá que a melhora é sensível.
Mas, e agora? Quem fez a modificação?
Quando? Entro aqui, com licença do leitor, no
campo desimpedido das especulações. Primeiro:
o resumo pode ter sido feito pelo próprio Roustaing,
ainda encarnado (com vistas a uma nova edição
ou para distribuição em separata); segundo:
por ele mesmo, já desencarnado, através
da mediunidade; terceiro: por um discípulo autorizado
por ele, antes ou depois da desencarnação;
quarto: por um discípulo fiel, à sua conta
e risco, quando foi preparada a 2ª tiragem. Minha
preferência pessoal é por esta última
hipótese. O autor: o mesmo que se encarregou
da maior parte da resposta dos discípulos de
Roustaing ao artigo de Allan Kardec, enfeixada no opúsculo
de 1882 e que, para mim, outro não foi senão
Jean Guérin. (Digo "da maior parte da resposta"
porque há de fato algumas páginas assinadas
que hoje sabemos serem realmente de Roustaing. Falo
delas noutro capítulo deste livro.) Aponto Jean
Guérin como autor dadas as muitas evidências,
que também exponho no cap. aludido. O fato de
haver mantido a assinatura de J.-B. Roustaing é
absolutamente compreensível, além de muito
justo e ético. Afinal, nada de substancial foi
modificado. Não era um outro trabalho. O resumo
de qualquer obra continua a ter sua autoria original.
Há, como sabemos, muitos títulos editados
como "livro de bolso", principalmente clássicos,
que são apenas resumos, condensações.
Mas quase nunca indicam quem os resumiu, conservando,
não obstante, o nome do autor. A Federação
Espírita Brasileira editou, durante muito tempo,
O Principiante Espírita, de Allan Kardec, que
no entanto jamais escreveu esse livro. Tratava-se tão-somente
de um resumo da doutrina espírita, elaborado
por Guillon Ribeiro, com a tradução de
textos do Codificador. Outro exemplo: Ser-Destino-Dor,
de Léon Denis, editado pela Edição
Calvário, de São Paulo, em 1965. Seu conteúdo
são apenas excertos da obra O Problema do Ser,
do Destino e da Dor, excertos cuja autoria não
foi consignada. L'Obsession, editado na Bélgica
em 1950 pela Éditions de L'Union Spirite, é
obra que Kardec jamais publicou, ainda que conste dela
o seu nome. Trata-se apenas de extratos da Revue Spirite.
Chegou a ser traduzida em português. E, completando,
posso eu mesmo testemunhar esse critério editorial.
Fiz algumas condensações de obras clássicas
para a antiga Editora Gertrum Carneiro e meu nome jamais
apareceu como o autor delas. Pagavam-me e ponto final.
Assim, Jean Guérin poderia, no máximo,
identificar-se como o condensador do Prefácio,
mas sua modéstia e sua humildade certamente lhe
sugeriram o silêncio e a discrição
nobre.
Por ora, fiquemos nisso. Creio que estão bastamente
examinadas as razões que me levam a chamar de
2ª tiragem a circulação dos volumes
surgidos (pelo menos) em 1882.
Para encerrar, farei breves registros sobre as traduções
de Os Quatro Evangelhos. Essa parte é longa e
está contida em outro capítulo do meu
livro A Posição Zero. Aqui, portanto,
limito-me apenas aos dados técnicos, sem maiores
comentários.
1. The Four Gospels explained by their writhes. With
an appendix on the ten commandments... Edited by J.-B.
Roustaing. Translated (from french) by W. F. Kirby.
3 vol. Trübner & Co.: London, 1881, 8º
(3224, 1.1.) 389
Esse registro catalográfico é do The British
Museum, Catalogue of Printed Books (1881-1900), vol.
6, 1946, col. 971; idem, vol. 47 (1946), ed1.101. 390
Foi, portanto, W. F. Kirby quem passou do original francês
para a língua inglesa. Quem era ele? Podemos
sabê-lo pelo próprio catálogo do
Museu Britânico. Seu nome completo era William
Forsell Kirby. Nasceu em 1844 e desencarnou em 1912.
Traduziu outras obras (não espíritas)
e publicou várias de sua própria autoria,
principalmente sobre insetos e, em especial, sobre lepdópteros.
2. Christligher Spiritismus, oder Offenbarung über
die Offenbarung, die vier Evangelien im Gefolge der
Gebote im Geiste und in der Wahrheit von den Evangelisten
unter dem Beistande der Apostel und des Moises erklärt.
- Gesammelt und geordnet vom J. B. Roustaing, Advokaten
des kaiserlichen Gerichtshofes zu Bordeaux, vormaligen
Advokaten-Vorsteher. Aus dem Französischen ins
Deutsche übersetzt vom Franz Pavlícek, k.
k. pens. Finanz-Commissär, Uibersetzer des Buches
der Médien. [Citações evangélicas]
I. Theil. Zu beziehen im Verlage des Uibersetzers in
Budweis in Böhmen. - 1879. Mit Vorbehalt aller
Rechte. 395
O registro da tradução alemã pode
ser encontrado na pág. 3 do Catálogo,
editado pela Federação Espírita
Brasileira e enfeixado, com numeração
própria de páginas, no fim da 5ª
edição de O Livro dos Espíritos,
publicada em 1899. Ali podemos saber o preço
e o livreiro: Christligher Spiritismus, 16 Marks. Vezkãufer:
Paul Hientzsch, Mauerstrasse, 68, Berlin.396 A FEB estava,
então, na rua do Rosário, 141 - sob. A
edição era vendida também pela
Casa Portuguesa (José Nunes dos Santos), na rua
de S. Roque 139/141, Lisboa, Portugal.
3. El Espiritismo Cristiano o Revelacion de la Revelacion.
Los Cuatro Evangelios seguidos de los Mandamientos esplicados
en espíritu y en verdad por los evangelistas
asistidos de los apóstoles y Moisés. Comunicaciones
recogidas y ordenadas por J.-B. Rustaing, Abogado de
la córte imperial de Bordeos. [Citações
evangélicas] - Barcelona. Sociedad Espiritista
Anónima Barcelonesa. Administrador: Juan Puigventos,
calle San Ramon, nº 28. - 1875. Barcelona, 1875.
- Tip. De Juan Pons, á cargo de B. Fábregues,
Olmo, 13. 397
Esses registros estão todos copiados do frontispício
da obra, publicada em apenas 1 volume, dividido em 2
colunas, e que possuo em minha biblioteca particular,
oferta que me foi feita pelos dirigentes do Centro Espírita
de Jacarepaguá, do Rio de Janeiro, aonde costumo
ir fazer palestras. O Catálogo da Federação
Espírita Brasileira fornece outros dados complemantares,
na pág. 6. Los Cuatro Evangelios. Preço:
7 Pesetas. Vendedor: Juan Torrents y Goral, calle del
Triunfo, S. Martim de Provensales - Barcelona. 398
A tradução é provavelmente a mais
antiga. Quando Roustaing desencarnou, em 1879, ela já
existia, conforme se lê no texto escrito por Jean
Guérin para a Revue Spirite de março daquele
ano, e que o leitor encontrará, na íntegra,
no cap. I deste livro. Guérin disse, então,
que "a tradução espanhola já
está feita e impressa em edição
bíblica grande, in-oitavo, num único volume".
Ignoro quem foi o autor dessa tradução
cujo nome, como vimos, não constou do frontispício.
4. Roustaing, G.B. - Spiritismo cristiano ossia rivelazione
della rivelazione. Versione di Corrado Baruzzi. Bologna,
soc. tip. già Compositori. '81-83, 3 vol., 16º.
1893.399
A fonte da versão italiana é a pág.
378 do Catálogo Geral da Livraria Italiana, de
1847 a 1899, compilado pelo professor Attilio Pagliaini
e publicado em Milão, em 1905.400 O tradutor
Corrado Baruzzi era literato, existindo de sua autoria,
registrado naquele mesmo catálogo, uma obra sobre
poesia e um romance. O G., no nome de Roustaing, quer
dizer, como se sabe, Giovanni, isto é, João
em italiano. O Reformador de novembro de 1952, pág.
256, traz uma breve nota sobre essa tradução,
redigida nos seguintes termos: "A obra de Roustaing.
A obra Os Quatro Evangelhos, de Roustaing, foi traduzida
para o italiano por C. Baruzzi e publicada em 1893."
5. Výklad Ctvera Evanglií a Desatera Prikázání
dle Spiritismu. - Napsali medijne evangelisté
a apostolé. Sebral a tiskem vydal Jan Roustaing,
francouzský advokát. Zcestili a k tisku
upravili F. Skola a K. Sezemský. - I. Díl.
[Citações evangélicas] - V Nové
Pace 1908. Nakladem Spiritické ústreduí
knihovny v Nové Pace. Tiskem Josefa Glose v Semilech.401
Esta é a tradução para o tcheco
do 1º volume, feita em 1908. O 2º volume surgiu
no ano seguinte, em 1909. Mas o lançamento propriamente
da obra aconteceu bem antes, no ano de 1886, em cadernos
seriados. O tradutor foi Frantisek Pavlícek,
com pequenas alterações nos dados técnicos.
Do acervo da Biblioteca da Universidade de Praga constam
dois desses cadernos, o IV e o VIII da série
II. Eis o frontispício de um deles, que tem acrescentado
a mão, naturalmente pelos técnicos daquela
biblioteca, a indicação Skola 1886:
Svazek IV. Serie II. Spiritistická Knihovna.
Krest'anský spiritism nebioli: Výklad
ctvera evangelií a desatera prikázání.
- Napsali medijnè evangelisté a apostolé.
Sebral a tiskem vydal Jan Roustaing, francouzský
advokát. Prelozil Frantisek Pavlicek, finanení
komisar ve výsl. - 4. Sesit. Cena jednotlivého
svazku 10 kr. - Nakladatel * Karel Sezemský *
Vydavatel. Praha, Soukenická ulice 1188/25. [Skola
1886.] 402
Em 1928 apareceu nova edição, cujo 1º
volume contém os seguintes dados:
Výklad Ctvera Evanglií a Desatera Prikázání
dle Spiritismu. Napsali medijné evangelisté
a apostolé. Sebral a tiskem vydal Jan Roustaing,
francouzský advokát. Zcestili a k tisku
upravili F. Skola a K. Sezemský. - I. Díl.
- [Citações evangélicas] - V Nové
Pace 1928. Nákladem Edice "Spirit"
Karel Sezemský, vydavatel v Nové Pace.
Tiskem Josefa Glose v Semilech.403
Dessa edição de 1928 foi encontrado,
no Brasil, um exemplar do 1º volume, incorporado
ao acervo bibliográfico da Federação
Espírita Brasileira desde 1974. Ofereceram-no
à Casa-Máter os confrades Felipe Salomão
e sua esposa Dorothy, do movimento espírita de
Franca, importante cidade do Estado de São Paulo.
O volume era da biblioteca do casal Helena e Roberto
Stavelova, que o trouxeram juntamente com outras obras
espíritas, quando decidiram sair da antiga Tchecoslováquia
e radicar-se em São Paulo. Encadernado, está
muito bem conservado. Contém 565 páginas,
em bom papel.
Eis os dados das traduções conhecidas
de Les Quatre Évangiles. Encerro informando que
parece existir, ainda, uma tradução em
senagalês. Até agora porém não
encontrei confirmação.
NOTAS
293 Os Quatro Evangelhos, Prefácio, vol. IV,
p. 70, 5ª edição da FEB.
294 Idem, idem, p.73.
296 Revista Espírita de março de 1860,
pp. 100/101.
297 Les Quatre Évangiles, Préface, tome
I, p. XXII da 1ª tiragem e p. 14 da 2ª tiragem;
e Os Quatro Evangelhos, Prefácio, vol. I, p.
65, 5ª ed. da FEB.
300 Os Quatro Evangelhos, Prefácio, vol. I, p.
57, 5ª edição da FEB.
301 Revista Espírita de junho de 1866, pp. 188
a 190.
302 Novo Dicionário da Língua da Língua
Portuguesa, de Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira,
p. 987, 1ª edição (3ª impressão)
, Editora Nova Fronteira, 1975.
303 O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. I, nº
6.
304 Idem, idem, nº 7.
307 Os Quatro Evangelhos, Prefácio, vol. IV,
p. 73, 5ª edição da FEB.
308 Idem, idem, p. 74.
310 Os Quatro Evangelhos, Prefácio de J.-B. Roustaing,
vol. IV, p. 76, in fine.
311 A Gênese e La Genèse, cap. I, nº
45.
312 Os Quatro Evangelhos, Prefácio do vol. IV,
p. 71, 5ª edição da FEB.
313 Os Quatro Evangelhos, vol. III, p. 65, 5ª edição
da FEB.
314 Vide Mateus, cap. 16, v. 27-28; cap. 24, v. 26-27;
e cap. 25, v. 31-32.
315 A Gênese, cap. XVII, nos 43 a 58.
316 Os Quatro Evangelhos, vol. II, pp. 170, 191, 192,
250 e 253; e vol. III, pp. 365, 377, 400/401 e 432,
5ª edição da FEB.
317 Pág. 57 da 5ª edição da
FEB.
319 Pág. 73 da 5ª edição da
FEB.
321 Os Quatro Evangelhos, Prefácio, vol. I, p.
65, da mensagem assinada por Mateus, Marcos, Lucas,
João, assistidos pelos apóstolos.
322 Os Quatro Evangelhos, Prefácio, vol. IV,
p. 74, 5ª edição da FEB.
324 Prefácio do vol. I, p. 67, da 5ª edição
da FEB.
325 Idem, ibidem.
326 Idem, ibidem.
327 Os Quatro Evangelhos, Prefácio, vol. IV,
p. 72, trecho assinado por Moisés e os evangelistas,
assistidos pelos apóstolos.
328 Espiritismo Cristão ou Revelação
da Revelação - OS QUATRO EVANGELHOS Seguidos
dos mandamentos explicados em espírito e em verdade
pelos Evangelistas assistidos pelos Apóstolos
e Moisés - Recebidos e coordenados por J.-B.
Roustaing. Advogado na antiga Corte Imperial de Bordeaux,
antigo bastonário. [Citações evangélicas]
- Tomo Primeiro - Paris. Livraria Central, 24, Bulevar
dos Italianos, 1866 - Todos os direitos reservados.
Bordeaux, gráfica Lavertujon, 7, rua dos Treilles.
330 Os Quatro Evangelhos, Prefácio, vol. IV,
p. 74, 5ª edição da FEB.
355 Errata do vol. I, pp. 493/494; do vol. II: 701/703;
do vol. III: p. 653/654.
389 Os Quatro Evangelhos explicados pelos seus autores.
Com um apêndice sobre os dez mandamentos... Editado
por J.-B. Roustaing. Traduzido (do francês) por
W. F. Kirby. 3 vol. Trübner & Co.: Londres,
1881, 8º (3224, 1.1.).
390 Museu Britânico, Catálogo de Livros
Impressos (1881-1900)
395 TRADUZIR DO ALEMÃO
396 Espiritismo Cristão, 16 marcos. Vendedor:
Paul Hientzsch, rua Mauer, 68, Berlim. 397 O Espiritismo
Cristão ou Revelação da Revelação.
Os Quatro Evangelhos seguidos dos Mandamentos explicados
em espírito e em verdade pelos evangelistas assistidos
pelos apóstolos e Moisés. Comunicações
recolhidas e postas em ordem por J.-B. Roustaing. Advogado
da corte imperial de Bordeaux. [Citações
evangélicas] - Barcelona. Sociedade Espírita
Anônima Barcelonesa. Administrador: Juan Puigventos,
rua São Ramon, nº 28. - 1875. - Tip. De
Juan Pons, a cargo de B. Fábregues, Olmo, 13.
398 Os Quatro Evangelhos, 7 pesetas. Vendedor: Juan
Torrents e Goral, rua do Triunfo, S. Martim de Provençal
- Barcelona.
399 Roustaing, J.-B. - Espiritismo cristão ou
revelação da revelação.
Versão de Corrado Baruzzi. Bolonha, antiga soc.
tip. Compositori. '81-83, 3 vol., 16º. 1893.
400 Catalogo Generale della Libreria Italiana, dell'anno
1847 a tutto il 1899, compilato dal Prof. Attilio Pagliaini
- vol. 3 (P-Z). Publicato a cura dell'Associazione Tipografico
- Libreria Italiana, Milano 1905, p. 378.
401 Interpretação de Quatro Evangelhos
e Dez Mandamentos Por Meio Espírita. - Escrito
por evangelistas e apóstolos, mediunicamente.
Compilado e editado por Jan Roustaing, advogado francês.
Traduzido para o vernáculo e preparado para a
impressão por F. Skola e K. Sezemský.
- I. Parte. [Citações evangélicas]
- Em Nová Paka, 1908. Edição da
Biblioteca Espírita Central em Nová Paka.
Impresso por Josef Glos, em Semilech.
402 Volume IV. Série II. Livraria Espírita.
Espiritismo Cristão ou seja: Interpretação
de quatro evangelhos e dez mandamentos. - escrito por
evangelistas e apóstolos, via médiuns.
Compilado e editado por Jan Roustaing, advogado francês.
Traduzido por Frantisek Pavlícek, comissário
financeiro aposentado. - 4. Caderno. Preço do
caderno individual 10 kr. - Editado e publicado por
Karel Sezemský. Praga, rua Soukenická
1188/25. [Skola 1886.]
403 Interpretação de Quatro Evangelhos
e Dez Mandamentos Por Meio Espírita. - Escrito
por evangelistas e apóstolos, mediunicamente.
Compilado e editado por Jan Roustaing, advogado francês.
Traduzido para o vernáculo e preparado para a
impressão por F. Skola e K. Sezemský.
- I. Parte. [Citações evangélicas]
- Em Nová Paka, 1928. Edição da
Biblioteca Espírita Central em Nová Paka.
Impresso por Josef Glos, em Semilech.
(Transcrição resumida do capítulo
II de A Posição Zero Introdução Histórica
e Dialética a Roustaing, de LUCIANO DOS ANJOS.)
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