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Magalhães, do Newton Boechat
e do Ricardo Lúcio de Souza.
A partir de 22
de janeiro de 1998 o Grupo dos Oito, que nunca trocou de
nome, esteve constituído por mim e mais Luciano dos
Anjos Filho, Jorge Pereira Braga, Leda Pereira Rocha,
Pedro Miguel Calicchio, Alexandre da Silva Costa e ainda a
participação dos familiares Paula Mendes dos Anjos, Viviane Albuquerque da Rocha Calicchio,
Janete da Silva Costa, Patrícia da Silva Costa e Vilmar Leal
Costa. Também participam, eventualmente, das reuniões de estudo
(não das mediúnicas), as meninas Bruna Mendes
dos Anjos e Luciana Mendes dos
Anjos, respectivamente de dez e
oito anos. Jamais foram forçadas a nada. Elas mesmas,
espontaneamente, decidiram participar, o
que têm feito com intervenções surpreendentes, considerada,
é claro, a idade de cada
uma.
O Grupo dos Oito,
portanto, já conta mais de três décadas de atividades
ininterruptas.
Em 25 de fevereiro de
2003, houve a desencarnação da Leda.
Para
o seu
lugar convidei, em 29
de julho de 2004, a Jônia Maria Valesine. No dia 13
de dezembro de 2007, incorporei ao grupo, como membros
efetivos, a Paula, a Viviane, a Janete, a Patrícia e o
Vilmar, que nunca ocultaram sua satisfação, fazendo
cada qual, mais de uma vez, franca exposição sobre a
importância do grupo e o quanto já haviam aprendido nas
reuniões, em quase onze anos como
participantes.
Desde 29 de janeiro
de 2009, o Alexandre da Silva Costa e familiares
não pertencem mais ao Grupo dos Oito.
Pouco depois,
fomos surpreendidos pela desencarnação do Pedro
Miguel Calicchio, vitimado por um enfarte fulminante, na manhã de 8
de março de 2009. Trata-se de perda amarga, pois,
além de muito estimado por todos, eram seus os oportunos
comentários e ensinamentos que sempre trazia à mesa,
relativos a vários assuntos, mas, em especial, sobre as
obras de Kardec e Roustaing. Na última reunião a que
compareceu, na quinta-feira, dia 5 de março de 2009, fez
questão de deixar gravada, em palavras emocionadas e em
tom de despedida, sua particular lealdade a mim e sua
fidelidade aos princípios que norteiam há mais de três
décadas o Grupo dos Oito. A certa altura,
frisou:
Eu queria fazer um pequeno
registro para a eternidade. Eu me sinto muito bem em
estar aqui com a minha esposa, em todas as reuniões,
nesses últimos onze anos. Esse registro vai ficar para
os meus filhos, para os meus netos, se eu puder passar
para eles, enquanto eu estiver encarnado. Se eu
desencarnar antes, você, Luciano, passa para eles.
Porque o Grupo dos Oito me deixa profundamente renovado
no dia-a-dia, mesmo numa semana difícil. A minha
profissão é uma profissão cármica, eu tenho perfeita
consciência disso, dos atos que eu cometo, meus erros,
meus acertos. Então, que fique registrado que me sinto
muito bem, intimamente, em cada reunião de que eu
participo, aqui no Grupo dos Oito. Pelo menos nesses
últimos onze anos. E, com certeza absoluta, estarei
sempre presente, mesmo que esteja impossibilitado de
comparecer. (Pedro Miguel Calicchio era advogado
militante.)
Comoventes
palavras de reconhecimento e solidariedade às vésperas da
desencarnação, dando testemunho do muito que soube
incorporar ao seu patrimônio espiritual em termos
cristãos e espíritas.
Para preencher-lhe a vaga,
renovei, em 28 de maio
de 2009, convite feito há cerca de vinte anos (na ocasião
não lhe foi possível aceitar), ao Marco Aurélio Assis, de judicioso
comportamento espírita, a exemplo de seu pai e meu
incondicional amigo Armando de Oliveira Assis,
desencarnado em 1988. Armando foi dos mais profícuos
presidentes da Federação Espírita Brasileira, cuja
biografia diamantina pode ser lida noutro local desta
home-page.
Assim, desde a fundação, o grupo vem prosseguindo nas suas atividades normais, reunindo-se,
a partir de 22 de janeiro de 1998,
às quintas-feiras, às 21 horas, na residência do
Luciano dos Anjos Filho, na rua Dr. Pereira
dos Santos nº 11 – ap. 401,
na Tijuca, Rio de Janeiro, RJ. Daquele ano de
98 a esta parte – devo registrar
–, meu grande amigo Divaldo Pereira Franco tem
vindo ao grupo, ao ensejo
da sua presença no Rio de Janeiro, quando ocorrem
as tradicionais conferências públicas do consagrado
médium.
Apesar da presença, na primeira reunião,
de apenas quatro titulares, também integravam
o grupo a Leda Pereira Rocha, o Roberto Silveira e o
Gilberto Perez Cardoso, que foram convidados a participar
das reuniões desde o início. Outro mais
convidado foi o Elias Souza Neto que, embora tendo aceito,
só pôde comparecer uma única vez,
em 12 de agosto de 1979, apenas para justificar suas
ausências e se despedir, pois teria de afastar-se
do Rio.
Mas, a história do Grupo dos Oito, a rigor,
começou bem antes daquela primeira reunião. Cumpre
recordar para registro do movimento espírita. Eu e o
Abelardo Idalgo Magalhães participávamos da diretoria
da Federação Espírita Brasileira,
na qualidade respectivamente de assistente do presidente,
então o inesquecível Armando de Oliveira
Assis, e ele de vice-presidente. Nas eleições de agosto de
1975, o Armando não quis renovar sua candidatura, a
despeito de vários companheiros do Conselho Superior (que
elege a diretoria) terem ido à sua casa
dissuadi-lo em vão da desistência. O Armando deixou
ainda de atender pedido de Bezerra de Menezes,
no mesmo sentido, através da excelente médium Maria Cecília
Paiva. Diante disso, eleita outra diretoria,
nós três tomamos novos rumos, dada também
nossa saída do Grupo Ismael, célula-máter da
Casa de Ismael. O Abelardo exercitava
ali sua experiente mediunidade, ao lado do excelente
e muito humilde Olímpio Giffoni (principal médium do Grupo
Ismael e o único que recebia o espírito
Ismael, guia espiritual do Brasil, nas mensagens
de natureza de cunho universalista). O Armando, que presidia ao
grupo, era o doutrinador, tarefa em que às vezes eu
colaborava.
Ausentes do Grupo Ismael,
seguimos caminhos diferentes no que respeitava à
presença em reuniões mediúnicas e de estudos.
O Armando retornou às suas origens, voltando a
participar do Grupo Espírita Cultivadores da Fé e
da Verdade, instalado, em carater emergencial, na sede da
Fundação Marietta Gaio, no Rio de Janeiro.
Eu também era integrante daquele modelar grupo,
e foi dali que havíamos saido, eu e o Armando,
para ingressar no Grupo Ismael, da Federação Espírita
Brasileira. Mas não o acompanhei naquele
retorno de 1975. Preferi manter-me afastado dessas
reuniões, prosseguindo apenas como redator de
artigos doutrinários e palestrante. (Mantive porém
minha reunião cristã do lar, às
vezes com alguns convidados, como por exemplo o
Newton Boechat, um de meus melhores e mais fiéis amigos.)
Já o Abelardo optou também por trilhar
o caminho de volta. Antes de ir para a FEB, era ele
o presidente do Grupo Espírita Fabiano, no Méier,
Rio de Janeiro. À procura de um espírita
competente na área financeira para
assumir a função de diretor-tesoureiro da
FEB, indiquei o Abelardo ao então presidente Antônio
Wantuil de Freitas, que logo o chamou. Depois,
com o consentimento e instruções do
Armando de Oliveira Assis, candidato a presidente,
convidei o Abelardo para ocupar a vice-presidência,
cargo que exerceu até o último momento
com responsabilidade e eficiência. Ao término
da administração do Armando, voltou o
Abelardo para o Grupo Espírita Fabiano. Consultou-me
antes. Eu ponderei que não ia dar certo, por
inúmeras razões que então declinei.
Ele no entanto manteve sua intenção e
voltou. Ficou muito pouco tempo por lá. Logo
se afastaria, como eu previra.
Transcorridos alguns meses, durante um de nossos
rotineiros encontros, exatamente na terça-feira, dia 27
de abril de 1976, falou-me da sua “necessidade
imperiosa” de exercitar a mediunidade, já que a pausa
prolongada lhe suscitava reflexos bastante
desagradáveis. Sabemos bem o quanto isso é possível.
Então ele me fez uma proposta: organizar comigo um grupo
particular, inicialmente apenas de estudo da doutrina e,
mais adiante, de trabalhos também mediúnicos, pois ele –
repetiu-me uma vez mais – precisava atuar
mediunicamente. Fui-lhe muito franco. Só concordaria se
o grupo fosse rigorosamente pautado nas idéias e
diretrizes que eu havia exposto nas páginas do
Reformador, durante o ano de
1973, quando escrevi a série "O Atalho – Análise Crítica
do Movimento Espírita", depois enfeixada em livro pela
Publicações Lachâtre. E mais: que as normas do grupo
fossem estabelecidas por mim e que somente pudesse
participar quem aceitasse a revelação contida na obra
Os Quatro Evangelhos, de J.-B. Roustaing. O
Abelardo concordou de imediato, pois sempre endossara as
minhas teses de O Atalho
(o que me confessara durante
o longo período que atuou como vice-presidente
da FEB, confissão aliás acompanhada por
todos os demais diretores). Afiançou-me ainda:
só haveria o grupo se eu participasse. Em palavras
mais claras: sem mim ele não participaria de
nenhum grupo particular, preferindo, noutra hipótese,
buscar um outro centro espírita sério
para exercitar suas faculdades. Diante disso, fiquei
de definir as normas do grupo e de apresentá-las
a ele no dia seguinte, 28 de abril.
Além de contar com a boa
memória, estou retirando este histórico das minhas agendas.
Nunca, até hoje, deixei de registrar nada, e como curiosidade
transcrevo o que leio na página do
dia 27 de abril de 1976: “21 horas
– reunião cristã do lar”. Na
página do dia 28: “Almocei com
o Antero de Carvalho, que me deu algumas notícias
da FEB. Antes o Ismael Tavares me comunicara que ontem
o Thiesen mandou chamá-lo para assinar o livro
dos candidatos ao Conselho Superior." Naquele dia, por volta de
15 horas, ocorreu o mais interessante. Sou
chamado ao telefone. Segue-se em minha agenda o teor dessa
conversa que tive com alguém da FEB, mas que ainda
hoje não vejo conveniência de revelar.
Ficará para o futuro, por decisão de meu
filho, herdeiro de meus arquivos. Só para encerrar
este parágrafo de velhos registros, transcrevo
o que releio no dia 29 de abril: “Hoje, em seu
escritório, Abelardo contou-me seu encontro fortuito
com o Thiesen, na sede da FEB, terça-feira última”.
Bem, voltemos ao fio da história do Grupo dos
Oito. Assim foi que, somente na sexta-feira, dia 30,
resumi as normas que se aplicariam ao grupo, o qual
nem nome deveria ter, a não ser pura e simplesmente
“grupo espírita”. Jamais teria denominação.
Virou Grupo dos Oito por mero referencial. Éramos
inicialmente oito e esse detalhe levou à identificação
nominal. Poderíamos ser mais ou menos. Mas éramos
oito e só por isso acabou conhecido como Grupo
dos Oito. Nada tem aí de cabalístico,
numerológico, esotérico. E preferiu-se
não alterar mais esse número de componentes
porque foi e é considerado um número razoável,
próprio para o tipo de reuniões que fazemos
até hoje; e também porque sempre temos
alguns participantes a mais, ou seja, parentes próximos
cuja presença foi tradicionalmente admitida.
Da minha agenda constam, pois, as normas em forma de
tópicos bem lacônicos. Foram apenas lançadas
ali para serem passadas ao Abelardo e aos demais participantes,
mesmo assim verbalmente, pois era condição
minha que não estatuíssemos formalmente
nada, absolutamente nada. As normas mínimas seriam
do conhecimento de todos mas sem jamais serem exaradas
no papel. Vou reproduzi-las aqui nos termos em que foram
agendadas e apresentadas na primeira reunião
do grupo e tal como eram verbalmente repetidas sempre
que acontecia a admissão de um companheiro novo.
Vejamos as notas, ora em redação um pouco
mais aclarada do que os tópicos então
lançados.
Qualquer
substituição por afastamento ou por desencarnação
somente se efetivará por unanimidade. Não haverá atas
nem qualquer tipo de burocracia; apenas um livro de
presença para valor histórico. Não haverá chefe, ninguém
manda em ninguém. Não será feito nenhum tipo de estudo
sistematizado na forma por exemplo de curso; a pauta
será sempre livre e aberta, conforme exposto no
Reformador
à época da administração do
Armando de Oliveira Assis como presidente da FEB. O
grupo estudará todo e qualquer assunto, sem restrições,
desde que enfocado à luz
do espiritismo. Não haverá nenhum ritual,
nenhum símbolo, nem se caracterizará qualquer
tipo de misticismo, como copo na mesa, toalha branca
especial, flores, cantorias, etc. Qualquer dos participantes
fará prece, sem ordem, sem vez, sem
intimação, sem obrigação. Da
mesma forma, qualquer um proporá e fará o
estudo da noite. Os comentários e as opiniões serão
absolutamente livres. A liberdade será total,
plena, absoluta. Os parentes mais próximos poderão
estar presentes na qualidade de freqüentadores. (A
bem dizer, não tem sentido que a mulher, o marido,
um filho, uma irmã, movidos pelos mesmos ideais
cristãos-espíritas, não possam
também estar presentes, cabendo a cada membro
efetivo do grupo medir a conveniência.) As
manifestações mediúnicas seguiriam, em
tese, o modelo do Grupo Ismael da FEB: jamais ocorreriam com
simultaneidade, e sendo destinadas muito mais à doutrinação
propriamente dita do que ao serviço
de pronto-socorro, embora este pudesse acontecer
eventualmente, nos casos em que os dirigentes espirituais
considerassem oportuno e inevitável. Será
permitida a presença de convidados especiais,
sem, contudo, caráter de frequência; apenas
para que conheçam a mecânica e os critérios
seguidos pelo grupo e, se quiserem, venham
a organizar grupos similares. Mas o convite terá
de ser autorizado por todos, pois certo nome
que seja respeitável para um pode não sê-lo
para outro, produzindo a sua presença, no
caso, constrangimentos e reflexos na desejada harmonia mental.
O grupo não terá ligação
com nenhuma instituição nem se reunirá
nas dependências de nenhuma delas: as reuniões
serão na casa de algum dos membros efetivos ou
será alugado um local apropriado. A base de estudo
e a prática do grupo assentarão no binômio
Kardec-Roustaing. Uma eventual situação
de afastamento (de membro efetivo ou de seu parente)
só poderá acontecer por conduta antidoutrinária
no grupo ou mesmo fora dele. O grupo se reunirá
às 20:30 horas, às quintas-feiras, mesmo
dia da semana das reuniões centenárias
do Grupo Ismael da Federação Espírita
Brasileira, embora essa escolha, por ter aspecto secundário,
não seja irreversível. É objetivo
do grupo divulgar seus estudos por qualquer meio para
conhecimento e aproveitamento dos espíritas em
geral.
Aí estão as normas que, como já
frisei, nunca foram nem serão formalizadas jamais.
Da página da minha agenda correspondente àquele
dia 30 de abril de 1976 ainda constam três registros,
em separado, na vertical: “Newton Boechat –
Armando. Falar Leda Rocha. Alugar?”
Traduzo
melhor esses registros: convidar para o grupo o Newton
Boechat e o Armando de Oliveira Assis. Falar com a Leda
Rocha, quer dizer, perguntar-lhe, através do
Abelardo, se ela cederia sua residência (um casarão)
para as reuniões. O Abelardo levantara essa possibilidade;
caso não fosse possível, partiríamos
para a alternativa do aluguel de alguma sala. Na verdade,
logo que consultada a Leda Pereira Rocha aquiesceu e
ainda afirmou – o que sempre repetia – que
era seu grande desejo me conhecer. De fato, não
nos conhecíamos pessoalmente, embora eu acompanhasse
de perto e de longe seu trabalho à frente do
Grupo Espírita Regeneração, dada
a sua firme posição estatutária
em favor do estudo da obra de Roustaing. Eu tinha da
Leda Rocha excelente impressão. O presidente
anterior da instituição – Alcides
Neves de Castro – era meu amigo e eu o conhecera
desde muito antes, nas dependências da Federação
Espírita Brasileira, na avenida Passos, que cedia
algumas salas para reuniões particulares: era
o caso do pessoal do Regeneração, do grupo
do Ismael Gomes Braga e, também, do Grupo Espírita
Cultivadores da Fé e da Verdade, aquele de que
eu e o Armando de Oliveira Assis fazíamos parte.
Depois, sendo o Wantuil de Freitas o presidente da FEB,
convidou a todos para procurar outros locais. Sempre
achei a medida acertadíssima, apesar de alguns
companheiros haverem ficado aborrecidos. Afinal, a sede
da FEB não devia servir de ponto de reunião
para outras atividades senão as suas próprias
e, em termos de grupos, o Grupo Ismael deveria ser o
único a ocupar suas dependências. Muito
judiciosa, portanto, a medida, na minha opinião.
Bem,
a partir do meu acerto com o Abelardo, a primeira providência
foi o encontro com a Leda Pereira Rocha. Ela
ofereceu-nos um chá em sua casa e abraçamo-nos,
no dia, como velhos amigos do passado. Disse-me com
empolgação: “Eu sempre quis conhecer
você. Agora estou feliz.” Quanto ao nosso
desejo, de pronto ela concordou em ceder sua casa para
as reuniões semanais. Depois, seguiram-se os
convites. Nós dois, eu e o Abelardo, logo cogitamos
do nome do Newton Boechat, que vinha visitar-me quase
diariamente em meu trabalho. É óbvio que
chancelei de imediato. O Abelardo ponderou que era importante
que partisse de mim o convite, achando que somente assim
ele aceitaria, dada a nossa estreita e fiel relação
de amizade. Tal aconteceu. E dali em diante fui aprovando
ou desaprovando os demais nomes aventados. Ninguém
foi admitido sem a minha prévia aprovação.
Calo sobre os que rejeitei por questão de pura
desimportância neste relato histórico e
para não suscitar mágoas.
O
convite ao Boechat foi por nós efetivado durante
almoço que tínhamos o hábito de
fazer no famoso restaurante Petit-Paris, no largo da
Carioca, bem na virada da rua da Carioca. Confirmou-nos
na ocasião que jamais participara de nenhum grupo
em termos de compromisso formal; dava muitas presenças,
mas nunca se comprometera com nenhum. A partir do convite
para integrar nosso grupo, aceitou e dele participou
até à desencarnação, com
rígida assiduidade e contribuição
extraordinária. Depois da sua concordância,
perguntei se ocorria alguém das suas relações
e ele propôs o nome do Gilberto Perez Cardoso,
estudante de medicina. Eu o conhecera através
do Felipe Salomão, destacado espírita
militante de Franca, SP, e meu grande e estimadíssimo
amigo. Guardava impressão muito boa do Gilberto
e aprovei seu nome, na certeza de que nunca me decepcionaria.
A Leda Pereira Rocha, por sua vez, me sugeriu o nome
do Roberto Silveira, que frequentava o Regeneração.
Quis conhecê-lo antes e para isso fomos almoçar
no restaurante do Clube Ginástico Português,
no centro da cidade. Gostei dele. Era rustenista, tinha
uma conversa inteligente, sincera e agradável.
Aprovei. Quanto ao Ricardo Lúcio de Souza, costumava
vir à minha reunião cristã do lar;
portanto, eu já o conhecia há bastante
tempo e o incluí no grupo. Tanto mais que vivia
me pedindo orientação para freqüentar
alguma reunião espírita. Recomendei-lhe
algumas, mas nunca se adaptava. Com o surgimento do
meu grupo, seria natural que o chamasse e ele, é
claro, não pensou duas vezes. O único
de quem nunca sequer ouvira falar e que de certa forma
aprovei no escuro foi o Elias Souza Neto. O Gilberto
Perez Cardoso fez a indicação, ressaltando-lhe
as qualidades e trazendo-o ao meu encontro, numa apresentação
muito rápida, porém simpática.
Acreditei na conceituação do Gilberto
e aquiesci no convite. No entanto, como já narrei,
o Elias acabou não ingressando no grupo.
Assim é que
todos, sem exceção, foram aprovados por mim. Mesmo
porque, sem minha aprovação não haveria o grupo, já que
o Abelardo – primeiro a sugerir a sua formação – só
participaria juntamente comigo e mediante as normas por
mim apresentadas; a Leda, sem o Abelardo, estaria fora
também; o Boechat só entrou porque era muito meu amigo e
foi bem explícito na sua aceitação, jamais acertada
antes com outras pessoas em toda a sua vida. Ora, se
ainda restasse alguém querendo reunir-se sem nós, seria
um outro grupo qualquer, menos o que ficou conhecido
como Grupo dos Oito. Havia vários outros nomes de minha
confiança e meu convívio, que eu mesmo poderia incluir,
mas preferi, por delicadeza, pedir sugestões. Assim,
devo deixar claríssimo para registro histórico: ninguém
me escolheu, a não ser o Abelardo; eu escolhi a todos.
Inclusive, em última análise, ao próprio Abelardo Idalgo
Magalhães, meu velho e querido amigo de muitos e muitos
anos. Ainda que a idéia do grupo fosse dele, fui eu que
o aceitei ao meu lado. E aceitei porque sempre o
admirei, não apenas quando o indiquei para a FEB, mas
quando sugeri seu nome para vice-presidente e quando o
conheci, há pelo menos 400 anos atrás (vide meu poema
“Versos Alexandrinos por uma Amizade de 400 Anos”, nos
meus livros Eu Sou Camille Desmoulins,
Publicações Lachâtre, e Dedicatórias
, Editora Celd).
No mais, nesta última encarnação
fui o grande confidente do Abelardo. Era comigo que
ele abria o seu coração fraterno, generoso
e... sofrido. Resta acrescentar que, desde minha saída
do Grupo Ismael, recebi muitos chamados para participar
de diferentes grupos e nunca os aceitei.
Nesses
termos é que considerei sempre o Abelardo Idalgo
Magalhães como o idealizador do grupo; e,
como fundadores, aqueles primeiros convidados, ainda que
nem todos tenham sequer comparecido à primeira reunião,
acontecida, como já historiei, às
20:30 horas do dia 13 de maio de 1976. A própria Leda
Pereira Rocha, dona da casa gentilmente cedida, não
pôde estar presente, tendo em vista compromisso
naquele dia no Regeneração. Ela ainda
não havia ajustado sua atuação
lá com a participação no Grupo
dos Oito, toda quinta-feira. O Roberto Silveira também
esteve ausente. Ambos só iniciaram a freqüência
no dia 24 de junho daquele ano. O Gilberto Perez Cardoso,
por sua vez, faltou seguidamente, pois cursava o último
ano de medicina e seus estudos tomavam-lhe todo o tempo.
Colou grau em 7 de dezembro de 1976, quando já
estavam suspensas nossas reuniões devido ao final
do ano. Ele só irá participar pela primeira
vez no dia 27 de janeiro do ano seguinte, em 1977. Detalhe:
algum tempo depois ajustamos o horário para as
21 horas, o qual perdura até hoje.
Bem,
com o correr dos anos vieram as substituições.
No lugar do Elias entrou o Carlos Alberto de Matos Peixoto,
sobrinho do Roberto Silveira. Nessa qualidade de parente
ele já freqüentava o grupo, como agregado.
Assim, sua incorporação aos oito foi natural
e sem objeções, por proposta do tio. Aceitei
de pronto, no que fui acompanhado pelos demais. Mas
ele mesmo, por motivos particulares, veio depois a afastar-se
e concordei com a indicação do Luiz Almeida
Cardoso, feita pelo Ricardo. É que eu já
o conhecia, por ter ido participar da minha reunião
cristã do lar, também a pedido do Ricardo.
Portanto, antes de apresentar o nome do Luiz aos demais,
o Ricardo conversou comigo, consultou-me, eu aprovei
e a indicação se realizou. Mais tarde
aconteceu a saída do Roberto Silveira. Confessou
que havia aprendido muito no Grupo dos Oito, que devia
muito de seu conhecimento às nossas reuniões,
mas que doravante preferiria dedicar-se integralmente
às suas tarefas no Grupo Espírita Regeneração,
onde iniciara um trabalho de atendimento individual
a pessoas envolvidas em processos obsessivos. Da parte
dele, seus esforços e comentários trouxeram-nos
também proveitosa contribuição.
Para seu lugar indiquei meu filho Luciano dos Anjos
Filho, que já freqüentava o grupo desde
o segundo ano de fundação. Sua efetivação
era esperada e, com isso, ele passou a funcionar como
médium de incorporação, lado a
lado com o Abelardo, alternando-se a tarefa entre os
dois a cada quinzena.
Em 22 de agosto de 1990
ocorreu a surpreendente (para nós, encarnados)
desencarnação do Newton Boechat. Era (e continua sendo) um
de meus melhores amigos, figura internacionalmente conhecida
e ouvida como das mais competentes,
notadamente na missão da oratória. Uma personalidade
excepcional sob todos os pontos de vista, e
que só altas horas da noite saía de
minha casa, quando vinha tratar de questões doutrinárias
e saborear suas sopinhas preferidas, que minha mulher preparava...
Dele fui também o confidente privilegiado, ao ponto de ter
sido em meu nome que deixou
um envelope lacrado para me ser entregue quando
desencarnasse. Sua vaga ficou muito tempo sem ser preenchida.
Até que para ela a Leda Pereira Rocha apontou
repentinamente o Gustavo Perez Cardoso, irmão
do Gilberto e que, nessa condição de
parente, já vinha há algum tempo
participando das reuniões. Ninguém contestou. Nem eu, por
ser indicação da Leda.
Mais tarde acontece o afastamento do
Ricardo Lúcio de Souza. Como me parecesse adequado,
convidei para substituí-lo o Adésio Alves Machado.
Eis que tivemos ainda de enfrentar uma segunda perda
tão amarga quanto a do Boechat. O Abelardo Idalgo
Magalhães sai do Rio para ir morar no nordeste
e deixa nosso convívio semanal. Admitindo que
a viagem fosse menos demorada, chegamos a considerar
guardar-lhe a vaga até seu regresso. Mas ele
iria de vez e nada pôde ser conciliado. Para o
lugar recomendei ao Gilberto Perez Cardoso que propusesse
o nome do David Coutinho, instruindo-o para que não
disssesse a ninguém tratar-se de mais uma escolha
minha. Ele pertencia à diretoria da Casa de Lázaro,
no Méier, Rio de Janeiro, uma nobre instituição
de assistência social a crianças desvalidas,
cuja presidente fora, durante décadas, minha
velha e nunca esquecida amiga Ruth Santana, de quem
guardo carinhosas cartas. Incorporado ao Grupo dos Oito,
o Coutinho assumiu tarefas mediúnicas, particularmente
de atendimento às requisições colocadas
sobre a mesa. Até à sua chegada e desde
que o Abelardo viajara, os serviços mediúnicos
estiveram a cargo exclusivamente do Luciano dos Anjos
Filho, que foi quem sugeriu que o Coutinho também
exercesse nas reuniões a sua faculdade.
O Adésio
Alves
Machado não continuou no grupo. Em
1997, acumulando outros afazeres, optou pelo desligamento. Para
a vaga aberta, meu filho Luciano indicou, a
pedido meu, o Alexandre da Silva Costa, indicação
que foi aprovada por unanimidade, conforme o acertado
em nossas normas virtuais. O Alexandre sempre esteve
ligado à Fundação Marietta Gaio,
idealizada por meu saudoso amigo Jorge Gaio, e instituição
a que o médium Francisco Cândido Xavier
assiduamente comparecia, quando vinha ao Rio de Janeiro.
(Ao tempo de Jorge Gaio a Fundação Marietta
Gaio sempre fora muito bem conduzida. O Chico só
dava presença ali e na Federação
Espírita Brasileira.)
Naquele mesmo ano de 1997, alguns acontecimentos se
sucederam e resultaram, em 15 de janeiro de 1998, no
desligamento de outros integrantes do grupo. Decidiram
sair do Grupo dos Oito, comunicando-me um a um a sua
decisão, que imediatamente aceitei. A Leda Pereira
Rocha, de sua parte, me reiterou, mais de uma vez, não
ter saído. Reiteração que me fez
até a desencarnação, em fevereiro
de 2003. A partida de nossa Ledinha foi muito sentida
pelos seus verdadeiros amigos, aqueles que foram vê-la
no hospital, compareceram ao sepultamento e à
sessão pública que o Grupo Regeneração
realizou em sua homenagem, durante a qual fui um dos
que testemunharam a grandeza daquele espírito
maravilhoso.
Para o lugar
da
Leda, como foi dito anteriormente, convidei a Jônia Maria Valesine,
que passou a integrar o grupo em 29 de julho de 2004.
O Grupo
dos Oito difere, na sua atuação, praticamente de tudo
que se conhece, aproximando-se apenas, quanto às
atividades mediúnicas, do modelo do Grupo Ismael, da
Federação Espírita Brasileira. Pelo
menos, segundo o meu conhecimento e, quanto
ao Grupo Ismael, até enquanto dele fiz
parte, sob a presidência do Armando
de Assis. Depois eu não soube mais como
passou a funcionar. Houve sempre uma diferença na
separação dos trabalhos. No Grupo Ismael, o estudo e achamada
desobsessão aconteciam, há mais de cem anos, em uma mesma
reunião semanal. No Grupo dos Oito, a cada semana,
alternadamente, é desenvolvido um tipo de trabalho: ora
é mediúnico, ora é exclusivamente de estudo. Nas
reuniões de estudo não existe sistematização, nos
moldes, aliás, do que se conhece de mais avançado no
campo da moderna pedagogia, em que currículos,
apostilas, planos de aula, didatismo, professores, tudo
isso é absolutamente rejeitado. Não há o mais mínimo
espírito de escolarização. Os temas de estudo são
propostos por qualquer participante e abordados nos
termos do princípio da afinidade de interesses (ver
tópico 12, cap. V do meu livro O Atalho
,
lançado em 1995 pela Publicações
Lachâtre). A liberdade e a descontração
são totais. Qualquer obra, qualquer fonte pode
ser suscitada e consultada a todo momento. O que vale
é aprender, e aprender da melhor maneira possível.
Abre-se e fecha-se a reunião com uma prece, que
é feita aleatoriamente por quem quiser fazê-la. Essa
metodologia, portanto, difere completamente do Grupo
Ismael.
Na reunião mediúnica há alguns
cuidados especiais a serem observados. Naturalmente ela
difere em termos de procedimentos. Há critérios mais ou
menos rigorosos que não podem ser desconsiderados.
Afinal, estamos já então no campo da ciência espírita e
em ciência há leis a serem respeitadas. Uma sessão
mediúnica é sempre um trabalho de laboratório. Assim,
após a acomodação à mesa, é feita a leitura de uma
página escolhida a esmo (ou, se se quiser, selecionada
de propósito) constante de qualquer bom livro espírita.
É o chamado preparo do ambiente. Na obscuridade, alguém
faz a prece de abertura, ao término da qual um mentor
nos traz breve alocução relativa aos trabalhos da noite.
Mantida a concentração, temos a presença do espírito a
ser doutrinado. Encerrado o diálogo, há o comparecimento
do mesmo ou de outro mentor para comentários alusivos à
manifestação e visando à orientação fraterna. Tudo
sempre em tom muito amoroso. Mentor que se preza não
briga, não estrila, não reclama, não agride; qualquer
restrição ou corrigenda reveste a mais fraternal
sutileza e o encantamento da lição oportuna. Enfim,
alguém faz a prece de encerramento e estarão terminados
os trabalhos que, regra geral, se estendem por 1 hora, 1
hora e pouco. Nada de fanatismos nos horários. (Ver
O Livro dos Médiuns, cap. XXIX, nº
333: "A exigência de pontualidade rigorosa é sinal
de inferioridade, como tudo o que seja pueril."
)
Sempre fui o doutrinador do Grupo dos Oito, incumbência
delicada que às vezes eu transferia para o Gilberto
Perez Cardoso. Um doutrinador e um substituto eventual
é sem dúvida o critério mais razoável
nesse tipo de reunião. Não são
aceitas, no Grupo dos Oito, manifestações
simultâneas, ou seja, por mais de um médium
ao mesmo tempo. É, aliás, o que recomenda
a boa doutrina; salvo casos muito especiais, raríssimos,
cujas circunstâncias justifiquem muito bem. Fora
de tais circunstâncias (caso ocorram, por descuido
do médium, presenças simultâneas),
tenho por norma (como ocorria no Grupo Ismael) não
tomar conhecimento da segunda manifestação.
Ignorado, o espírito invariavelmente se retira
ou se mantém calado. No máximo concedo
dar-lhe atenção após o término
da primeira conversação, naturalmente,
se ele ainda estiver presente e se tempo e condições
o propiciarem.
O
Grupo dos Oito nunca foi um grupo de pronto-socorro,
como há muitos outros, destinados apenas a aliviar
uma dor, lenir um sofrimento imediato. É claro
que esse trabalho é útil e importante,
mas não é característica do Grupo
dos Oito, que acolhe manifestações geralmente
longas, demoradas, de efetiva doutrinação.
Trata-se de um paciente e amoroso trabalho de convencimento,
para o que nada é eficaz a não ser a argumentação,
o raciocínio bem pesado, o aproveitamento de
oportunidades narrativas e, evidentemente, dosado tudo
com muito amor, muita caridade, muita paciência.
Sem esses elementos, nenhuma doutrinação
funciona. Ora, um trabalho assim requer tempo, razão
por que, não raro, um mesmo espírito retorna
à conversação por várias
sessões. Ninguém se convence, nem ninguém
muda de repente. O tom do diálogo irá
desde o mais simples ao mais complexo, correspondente
é óbvio ao nível intelectual do
manifestante.
Não se aplicam no Grupo dos Oito recursos de
violência, tanto verbais quanto fluídicos.
Não se “amarram” espíritos,
não são feitos nem aceitos desafios, não
são dados passes constrangedores. Passes só
são ministrados para balsamizar, para levar medicação,
para transmitir ajuda. Mesmo assim se se perceber que
valerá a pena. Há espíritos que
não estão nem aí para esses agrados.
Eventualmente, após uma sessão mais densa,
o médium que serviu à manifestação
pode receber, se quiser e se pedir, alguns passes reparadores.
São convenientes.
Como se
pode observar e eu tenho a preocupação de
esclarecer, levamos em conta uma diferença importante
entre as reuniões de estudo e as de desobsessão.
Comparo essa diferença à mesma
que existe, por exemplo, entre um grupo de estudo de
médicos cirurgiões e esse mesmo grupo constituído
numa equipe concentrada para proceder a
uma operação na unidade cirúrgica. No
primeiro caso, a atenção estará voltada
para o estudo, para a troca de idéias, permuta
de informações, mas sem nenhuma formalidade,
todos completamente descontraídos, cada
um falando quando quer, o que quer e do jeito que quer,
naturalmente observados modos e educação. Pode
até haver outras coisas sobre a mesa, além de
livros e publicações úteis, sem
qualquer prejuízo para o estudo em andamento. No
segundo caso, nas reuniões de desobsessão, já
há que respeitar algumas regras e serem seguidas
certas rotinas disciplinadoras. Existirá um
determinado responsável pelos trabalhos e sua
orientação deverá ser levada em
conta. Um cirurgião não se distingue numa
reunião de estudos ao lado de outros cirurgiões quando
todos são competentes; mas, na hora da cirurgia,
um deles terá o comando. Pois é assim
mesmo que acontece no Grupo dos Oito. E é sem
dúvida por isso que estamos em atividade há
mais de três décadas ininterruptas
e, com certeza, ainda por isso é que muito temos
aprendido e avançado.
No correr dessas décadas, o Grupo dos Oito já
promoveu os mais variados e interessantes estudos. Aplicando
a metodologia proposta em meu livro O Atalho, longe da
sistematização que não leva ao aprendizado livre e
consciente, temos alcançado excelente índice de
aproveitamento, medido naturalmente pela satisfação
racional que as conclusões nos ensejam. Motiva-nos
apenas – repito – a afinidade de interesses no amplo
espectro de assuntos e questões
que se ilumina diante do estudioso sincero. Nesse
longo período de existência, tivemos a
satisfação
de registrar algumas visitas ilustres,
dentre as quais – desculpem-me alguma omissão involuntária
– a da Cláudia Bonmartin (radicada
em Paris, sempre que vem ao
Brasil visita o Grupo dos Oito), do
Osmar Ramos Filho, autor de uma das mais extraordinárias
obras de análise e comprovação da mediunidade, do
Ernani Francisco de Sena Sampaio, respeitado
oncologista, cujos estudos clínicos em torno
da eficácia da prece são conhecidos nos
círculos médicos, e Pedro Paulo
de Oliveira, admirado por sua integridade de
verdadeiro espírta pratricante da verdadeira caridade. E, como já dito no início deste
texto, Divaldo Pereira Franco, na atualidade, o
maoir médium do mundo.
Finalizo este
histórico com considerações sobre a home-page ora
disponibilizada na rede. Por sugestão de meu filho, o
Grupo dos Oito achou por bem aliar seus objetivos aos
recursos da era do computador. Preocupam-nos, no
momento, os complicadores inventados pelo movimento
espírita e que deterioram a saudável divulgação de temas
e idéias indispensáveis à expansão e consolidação da
doutrina, dentro dos padrões éticos exigíveis.
Preocupa-nos aquilo a que chamo igrejificação. Nos
moldes da liberdade que cada espírita tem para
expor e defender seus pensamentos (questão nº 833 de
O Livro dos Espíritos
), o Grupo dos Oito
se vale, pois, da internet para ampliar debates, aprofundar questões
graves, defender posições, fazer enfim
o que qualquer espírita pode e deve fazer sem
precisar se submeter a quaisquer entidades ou a
quaisquer sistemas de controle e opressão. É bom
que se firme e se convalide no movimento espírita um
pacto: áureo que seja, mercê de Deus,
mas que seja tão-somente de união. A unificação
organizacional, também, é apropriada, porém
sem formalizações, senão aquelas
que simbolizem uma grande molécula, com a
Federação Espírita Brasileira no centro,
no núcleo, e, orbitando à sua volta, as
entidades estaduais, as internacionais e, virtualmente, todos
os espíritas do mundo. Se quiserem é
óbvio. Mesmo porque, estou me referindo ao centenário
programa doutrinário da Federação
Espírita Brasileira. O dia em que esse programa
for alterado, outro será o núcleo da molécula.
Se, em contrapartida, não optarem por nenhuma
adesão, ainda assim continuarão espíritas.
Como fiéis seguidores do Cristo e da doutrina, seguirão
vivenciando, onde quer que se encontrem a verdadeira
caridade, encontrarão por certo a salvação,
na promessa sábia do missionário Allan
Kardec. É na busca desse objetivo que surge a
home-page do Grupo dos Oito.
Um último
esclarecimento. Não me inculpem, por favor, de
contraditório por repelir energicamente a pregação
religiosa pela televisão e valer-me aqui da internet. É
pensamento uniforme no Grupo dos Oito que a televisão só
serve negativamente à doutrina, por muitas razões que
não cabe alinhar neste histórico, mas que um jornalista
com mais de cinqüenta anos de profissão conhece muito
bem. Televisão pode servir para informar, debater,
entrevistar; pregar, nunca! Já a internet, muito ao
contrário, é bem-vinda, ainda que apresente também um ou
outro aspecto menos apropriado. Basta registrar, para
expor a diferença capital: a televisão joga dentro da
nossa mente, com todo o seu fascínio, o que não é de
fato buscado, ainda que quem busca seja livre para não
fazê-lo; o computador, no entanto, é mero instrumento
para que nossa mente busque o que verdadeira e
livremente procura, onde quer que se encontre e de
maneira a atender cada necessidade individual, cada
afinidade de interesse. Através do computador é o
usuário, é o estudioso que faz seu próprio currículo,
que cria a sua própria apostila, que elabora o seu
CD-Rom particular.
Seja bem-vindo, amigo internauta, à home-page
do Grupo dos Oito.
Rio de Janeiro, 13 de maio de
2000
(24º aniversário do
Grupo dos Oito)
Texto
atualizado em 29 de maio de 2009
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