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No
próximo passado 31 de março completaram-se 133 anos do retorno à pátria
espiritual de um dos grandes pioneiros da mensagem do Cristo de Deus.
No mesmo dia e mês do ano de 1869, antes de completar 65 anos de idade,
vitimado por uma síncope cardíaca, desencarnava Allan Kardec, o insigne
codificador da doutrina espírita.
Sua obra é imensurável e surpreende saber que menos de quinze
anos lhe foram suficientes para levá-la a cabo.
Tomando ciência de sua biografia, logramos compreender todo o preparo
que a Espiritualidade Maior lhe ensejou para que reunisse as condições
de cumprir tão brilhantemente o que lhe houvera sido confiado antes da
reencarnação.
Filho de um juiz provindo de uma família de advogados, dedica-se à pedagogia, então
desdenhada e relegada a um segundo plano, no contexto do mundo de sua época; contudo, é
com Johan Heinrich Pestalozzi, cujos métodos revolucionaram o ensino, que ele obtém sua
formação.
Os conhecimentos de pedagogia vieram a ser de extrema utilidade quando da exposição da
Doutrina dos Espíritos. Em O Livro dos Espíritos, adota a dialética de
Sócrates, tornando passível de alcance a cérebros medianos uma filosofia profunda,
essencialmente fundada na lógica. O "todo" da Codificação é de uma unicidade
que não passa despercebida Das quatro partes em que foi dividido O Livro dos
Espíritos origina-se uma obra em que lhe são exigidos todos os conhecimentos que
adquirira como cientista e pesquisador: fisiologia, química, física, astronomia,
matemática, biologia, botânica, retórica e anatomia comparada, além do domínio do
alemão, holandês, inglês, espanhol, latim e grego, e incursões sérias, por trinta e
cinco anos, no campo do magnetismo, do qual sempre fora aficcionado.
O Livro dos Médiuns o maior tratado científico de estudo dos fenômenos ditos
paranormais de todos os tempos tem seus capítulos divididos em ítens numerados,
facilitando ao estudioso estabelecer, com relativa facilidade, sua inter-relação com os
quesitos de O Livro dos Espíritos, bem como com as demais obras básicas.
O Evangelho segundo o Espiritismo é uma decorrência da
questão 625 de O Livro dos Espíritos, correlacionando e estabelecendo poderosos
elos com o livro terceiro de O Livro dos Espíritos "Das Leis
Morais".
O Céu e o Inferno está indissoluvelmente ligado ao livro
quarto "Esperanças e Consolações".
E A Gênese trata do livro primeiro "Causas
Primárias", bem como de aspectos da missão de Jesus e do caráter de
revelação comprovada pelo espiritismo .
Além disso, Kardec criou e dirigiu a Revista Espírita, de
periodicidade mensal, desde abril de 1858, bem como a Sociedade Parisiense de Estudos
Espíritas, constituída em igual data.
O que é o Espiritismo, livro introdutório à doutrina, foi
lançado em 1859, com a mesma marca indelével do educador de Allan Kardec.
Viagem Espírita em 1862 é uma descrição de seus
deslocamentos pela França, em visita a núcleos espiritistas, criados por adeptos da
doutrina naquele país.
Obras Póstumas, editado em 1890, reúne uma coletânea de
escritos inéditos compilados principalmente por Pierre Leymarie, que o sucedeu na
direção da Revista Espírita.
Esse monumental acervo, que incursiona por todos os valores da
humanidade ciência, filosofia, moral, religião , foi compilado a partir do
cinqüentenário do professor Rivail.
Aceitando a missão, Allan Kardec foi incansável, imbatível em sua dedicação, somente
interrompendo suas jornadas de 14 a 15 horas diárias de trabalho quando compelido, a
instâncias médicas, a dois meses de absoluto repouso. Era seu coração intimorato,
eivado de amor, que denotava os primeiros sinais de exaustão; essa exaustão veio
culminar com sua retirada do mundo encarnado, de modo súbito, sim, mas sendo recebido no
Plano Maior com os louros de benfeitor de um grande número de espíritos, seus
contemporâneos ou que retornaram à vida corpórea após a conclusão da sua monolítica
obra. Allan Kardec despedia-se do mundo corpóreo deixando inesgotável manancial de
luzes, cujos reflexos têm clareado a senda de milhões. No "século do
iluminismo", Kardec deixou, indubitavelmente, luminescente e inapagável lume.
Para mostrar à humanidade o que há depois da morte é que o espírito Humberto
de Campos nos descreve que em uma das assembléias espirituais, presidida
pelo coração misericordioso e augusto do Cordeiro, fora destacado um dos
grandes discípulos do Senhor para vir à Terra com a tarefa de organizar
e compilar ensinamentos que seriam revelados, oferecendo método de observação
a todos os estudiosos do tempo. Foi assim que Allan Kardec, a 3 de outubro
de 1804, via a luz da atmosfera terrestre, na cidade de Lyon. "Segundo
os planos de trabalho do mundo invisível, o grande missionário, no seu
maravilhoso esforço de síntese, contaria com a cooperação de uma plêiade
de auxiliares da sua obra, designados particularmente para coadjuvá-lo,
nas individualidades de João-Batista Roustaing, que organizaria o trabalho
da fé; de Léon Denis, que efetuaria o desdobramento filosófico; de Gabriel
Delanne, que apresentaria a estrada científica, e de Camille Flammarion,
que abriria a cortina dos mundos, desenhando as maravilhas das paisagens
celestes, cooperando assim na codificação kardeciana no Velho Mundo e
dilatando-a com os necessários complementos." (Brasil, Coração
do Mundo, Pátria do Evangelho, psicografia de Francisco Cândido
Xavier, cap. XXII, pág. 176, editado pela FEB, 19ª edição.)
Não foi à toa que Flammarion, em discurso perante o seu túmulo, o denominou
de "O Bom Senso Encarnado".
(Transcrito de O Franciscano, editado pela
Associação Espírita Francisco de Assis,
Rio de Janeiro, RJ, de abril de 1998,
revisto pelo autor.)
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